farofa a bordo

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Assim que o comandante avisou que teríamos que esperar por pelo menos uma hora e meia até os mecânicos terminarem o conserto do problema no avião, eu ouvi o barulho de desembrulhar de pacotes de papel e plástico nas cadeiras atrás de nós, onde sentavam um casal de americanos. Senti cheiro de pão sendo cortado e de vinho enchendo copos! Pensei, essa gente trouxe um farnel? Sim, trouxeram! Não olhei pra trás, é claro, mas fiquei invejando a idéia, o senso de prevenção, a capacidade de se organizar para não passar fome a bordo.
Uns minutos depois levantou um espanhol que sentava com a esposa na fileira ao nosso lado. Uma figuraça de calça Calvin Kline e camiseta do sindicato Solidariedade. Senti um cheiro maravilhoso de pão com queijo e presunto e levantei a cabeça para ver os espanhóis devorando enormes sanduiches que vieram embrulhados em papel branco. Em seguida os vi brindando com copos cheios de vinho tinto. Eu salivava de lombriga de fome de de inveja. E pra completar a farra gastronômica, o espanhol começou a descascar laranjonas suculentas com um cortador de unha. Picnic completo! Levantei pra esticar as pernas e vi os americanos sentados atrás de nós guardando uma caixa de plástico com presunto cru e retirando do farnel uvas gigantonas verdes e potinhos com algum creme de sobremesa, que eles comiam com uma colherzinha descartável- organizadíssimos! A mulher me ofereceu umas uvas, que eu recusei gentilmente por educação. Eu já tinha dado bandeira suficiente da minha babação e inveja.
Da próxima vez que viajar de avião vou ser esperta como esse pessoal e levar uma farofinha. Comida de avião é uma droga mesmo e pelo que eu percebi ninguém regula a entrada de comida clandestina a bordo!

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  • Meg, voce sabe das coisas! 😉
    Saudades de voce tambem…..
    Flá, voce eh o maximo!
    Finalmente alguem pegou o espirito da historia!!!!!!!!!!! 🙂
    beijaoooo pra voces duas!

  • Fernanda, não consegui escrever no seu texto depois desse. Não abriu. Como vc, escrevo o que dá vontade. Não estou atrás de palpites ou julgamentos. Gosto de ler o que vc escreve e meus comentários não é de se meter na vida. Deu pra sentir isso?
    Beijo,
    Liliane

  • Nos voos domesticos nos tambem ja temos pratica e nos prevenimos, comendo antes ou levando coisinhas no carry on. Mas nesse voo internacional nao contavamos com o atraso de quatro horas [eh, nao foram a uma e meia que eles previam] trancados dentro do aviao com um servico de agua apenas. eu tinha crackers, amendoas pralines, barras de granola, chocolate e agua comigo, mas nao se comparou com a cestinha gourmet dos americanos e espanhois, que tinha ate vinho e sobremesa 🙂

  • Concordo com a Luciana. Eu agora sempre compro alguma coisa para comer no avião, depois do trauma de viajar pela Southwest da California até Rhode Island sem que eles nos dessem nada mais que amendoins.

  • Fer, os americanos estavam preparados porque com essas companhias aereas por aqui voando horas e horas sem nenhuma comidinha, e pra aprender a licao mesmo! Eu e Gabe voltamos ontem de Seattle e tambem tinhamos os nossos sanduiches empacotados em papel branco e garrafinhas de suco 🙂 A gente comprou no aeroporto mesmo, logo antes do embarque…na primeira vez, encaramos o voo de quase 5 horas sem comida nenhuma, nao sabiamos que a Northwest nao serve nada alem de bebida nesse voo…

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o passado não condena