the icebox

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Virei para o lado e vi minha amiga com um cachecol de lã enrolado em volta da cabeça, cobrindo as orelhas e aconchegando o pescoço. Enfrentávamos a brutal intempérie com o que tínhamos ali. Ela se enrolou no cachecol, eu levantei a gola do casaco e puxei as mangas da blusa para tentar esquentar as mãos, que estavam quase duras de tão geladas, acompanhando as orelhas e o nariz. Uma cena totalmente absurda na platéia, concorrendo com as cenas chocantes do filme. Estávamos congelando dentro de uma sala de cinema em Sacramento.
Saímos do filme curvadas, corremos para o carro e ligamos o aquecedor. ahhhh….
Sinceramente, isso é realmente o fundo do poço. Os cinemas daqui exageram no ar condicionado no verão, mas deixam as salas mais confortáveis no inverno. Ninguém fica suando de calor, mas passar um frio desses é um pouco demais. Eu vou à esse cinema porque eles têm filmes independentes, estrangeiros e não-comerciais. Dou todo o apoio para que eles lutem contra as cadeias cinemax-tudomax que estão colocando os cinemas antigos e tradicionais out of business. Mas passar esse frio do capacete dentro de uma sala de cinema é mais do que eu posso suportar.

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yes, i feel good!
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o que?
  • Fer, eu defendo a tese de que a cidade mais fria do mundo é o Rio de Janeiro durante o verão. Experimenta ir ao cinema. Nem na Sibéria a temperatura é tão baixa.
    Pelo visto, vou ter que reformular a minha maneira de pensar: uma sala em Davis vem fazendo séria concorrência ao freezer carioca. 🙂

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o passado não condena