the pandemic report

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Aqui na nossa pequena bolha arborizada o que estamos vendo diariamente quando saímos pra caminhar pela vizinhança é um negócio até bonito. Nunca tinha visto famílias inteiras caminhando a tardezinha, filhos nos patinetes e bicicletas, bebês no carrinhos, a onipresente cachorrada feliz tomando uma fresca, correndo pra pegar o freebee nos gramados. A população saiu da toca, já que não há outro entretenimento fora de casa, a não ser essas caminhas pelas ruas. Nas caminhadas vamos acenando, cumprimentando gente que nem conhecemos e mudando de um lado para o outro da rua, para respeitar a distância ultra necessária, mesmo essas sendo bem largas e as calçadas generosas. Outros vizinhos apenas sentam nas suas varandas olhando o movimento, acenam um hello para quem passa, uns conversam, outros bebem vinho. De uma certa forma está tudo mais animado, muito mais agitado do que antes, quando se podia ir em bares, restaurantes, parques, museus. tem mais interação, apesar do distanciamento, que aqui mede 6 feet [1.83cm].

Faz três semanas que não enchemos o tanque do carro e o preço da gasolina está só baixando, baixando.

O Uriel leu que esvaziaram os abrigos de animais em New York. Foram todos adotados! Durante crises nós contamos com quem para nos dar conforto? Com eles, é claro!

Eu li que aqui na roça acabou o estoque de pintinhos, mercadoria [sic] muito comum na primavera, quando todos renovam os galinheiros. As pessoas querem garantir os ovos.

E nunca se cozinhou tanto. Sumiu farinha de trigo e fermento dos supermercados, estressados e não-estressados, todo mundo fazendo pães.

O Gabriel contou que a Serena está trabalhando sem parar na nursery, porque é primavera e normalmente a demanda por plantas, ornamentais e comestíveis, é enorme. Mas agora a demanda está imensa. Todo mundo querendo garantir a salada. Esses serão os Victory Gardens da guerra do século 21.

Nossa nova deadline para voltarmos à normalidade foi empurrada pra 1 de Maio, mas não contem com isso.

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