[ os dias estão esfumaçados]

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me by gabe

Agora que achei os audiobooks na biblioteca pública, faço todos os serviços tediosos ouvindo livros. Terminei o Go Set a Watchman da Harper Lee, narrado pela Reese Witherspoon. Comecei a ler Fahrenheit 451 narrado pelo Tim Robbins. No audible estou terminando de ouvir Becoming Michelle Obama, lido por ela mesma. <3

O sósia do meu marido jovem tem sobrenome de escritor americano famoso. Pensando que era apenas uma coincidência, como o meu, perguntei nonchalant e ele é sobrinho neto do cara!

Já tenho uma receita de sobremesa pro jantar de thanksgiving. One down! Agora preciso de pelo menos umas outra cinco com legumes e verduras pra acompanhar o peru que meu filho vai fazer e eu não vou comer! iurru!

Meu chefe deu a ideia de comprar o jantar pronto e até que pensei no caso.

1. comprar jantar de thanksgiving [vegan ainda por cima]

2. deletar food blog

Perdi 10 quilos e pela primeira vez na vida [que eu me lembre] que vesti uma calça que era justa na cintura e tive que colocar um cinto pra ela não cair.

O outono está acontecendo lá fora, entre a fumaça dos incêndios, e nem estamos prestando atenção, porque não estamos podendo caminhar pelas ruas normalmente. Tá tudo bagunçado.

Troquei de roupa quatro vezes e fui vestida como uma mendiga.

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to see things as they really are

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my Vipassana on a plate
my Vipassana on a plate

Dez dias desconectada do mundo, dez dias sem falar, sem ler, sem escrever, sem pesquisar, sem ver previsão do tempo, sem tirar fotos, sem calcular quantos passos andei, dez dias sem google, dez dias longe do celular que ficou trancado num cofre, dez dias sem cozinhar, sem fazer yoga, sem dirigir, sem nadar, dez dias sem saber o que está acontecendo fora do meu espaço, dez dias em silêncio, dez dias de horários rígidos, acordando às 4am, dez dias ouvindo o mestre dizer “start again, start again”, dez dias sem conversar com meu marido, sem contar as coisas do dia, dez dias sem o estresse das notícias, dez dias tomando banho somente nos horários determinados, dez dias sem ouvir música, dez dias no mais absoluto silêncio.

Dez dias conectada comigo mesma, dez dias meditando em grupo ou sozinha, dez dias olhando o céu, as nuvens e as estrelas, dez dias comendo comida vegetariana levinha e gostosa que eu não cozinhei, dez dias bebendo chá, dez dias ouvindo os pássaros, dez dias olhando os esquilos, dez dias falando mentalmente [ou sussurrando] com as árvores, dez dias pulando buracos de gophers, dez dias ouvindo o pica-pau trabalhar dedicadamente estocando previsões pro inverno, dez dias ouvindo os sons dos insetos e dos acorns caindo das árvores, dez dias subindo e descendo morros, dez dias respirando o ar gelado da manhã, dez dias vendo o sol nascer na caminhada pro café da manhã, dez dias imersa numa enxurrada de pensamentos, dez dias deitada na pedra, dez dias olhando pra dentro do meu coração e da minha mente. Dez dias caminhando com atenção plena e vendo coisas que normalmente não teria visto, dez dias coletando delicadezas que vi no chão, dez dias subindo e descendo as escadas de degraus larguíssimos, dez dias respirando, respirando, respirando, dez dias inteiros, de horas exatas, sentindo cada segundo, cada minuto, dez longos dias, intensos, lindos, inesquecíveis.

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ainda é verão? [sim, é]

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Estou fazendo pequenas e grandes mudanças na minha rotina e na minha vida. 2018 vai ser o ano que vou lembrar sempre como o ano do desafio aceito. E completo. Subir a montanha, posso. Parar de tomar café, posso. Eliminar animais da dieta, posso. Fechar a boca [metaforicamente e literalmente], posso. Fazer pizza sem queijo, posso. Meditar, posso. Descascar 543221 dentes de alho, posso. Ficar sem celular, sem tirar fotos, sem ler, sem escrever, bom, this remains to be seen.

Quase chorei quando ouvi de dois fazendeiros que aquele dia era o último deles no farmers market da minha cidade. E me deu um pequeno pânico––não comi pepino o suficiente ainda! Então comprei um monte, de diferentes variedades. nosso farmers market é sazonal, só acontece no verão. O pessoal que vende lá só tem produto pra uma estação. Depois vai cuidar da terra, plantar, cultivar. por isso tudo lá é tão bom.

Um moço começou a trabalhar no meu prédio, é o novo coordenador de um programa. Vi ele na cozinha na hora do almoço, ficamos conversando [ele fala pra caramba!]. Desde o primeiro minuto que olhei pra ele fiquei com uma sensação estranha de familiaridade, sei lá, muito estranho. Depois que o moço foi embora caiu a minha ficha: ele é muito parecido com o meu marido quando jovem. Até mandei a foto do moço pro meu marido, pra ter certeza que não estou louca. O marido concordou que tem uma parecência mesmo. Tô bem ferrada, porque vou ficar vendo o meu marido jovem todo santo dia, isso vai certamente pirar com a minha cabeça! Tomara que ele seja bem chato.

É praxe no meu trabalho a gente fazer uma “meal train” toda vez que alguém saí de licença médica. Desta vez estamos fazendo isso para uma das minhas amigas. Além de fazer a comida em duas datas, estou levando a comida que outros prepararam pra ela todos os dias. Ela mora em outra cidade, num pequeno sítio no topo de um morro. São 40 minutos de viagem pra ir e outros 40 pra voltar. Mas não tem problema, porque pelo caminho vou vendo campos de tomate, pomares de nozes e amêndoas e ocasionalmente [por sorte] um veadinho e muitas lebres.

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serious business

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Minha coleguinha é quarta ou quinta geração de açorianos na Califórnia. O sobrenome dela é Parreira, que eu já traduzi pra ela como grapevine, porque ela achava que era pear tree. Quando ela fala o sobrenome com sotaque de americana o resultado me dói os ouvidos. Fico confusa com o fato de que a pessoa não pronuncia o próprio sobrenome da maneira correta. Os sobrenomes portugueses são mesmo difíceis pros americanos, é por isso que não uso o meu Guimarães aqui. prefiro ser apenas Rosa [Rousa] do que Goimareins Rousa.

Minha distração enquanto trabalho é beber água. Digo distração porque bebo água distraída. Estou focada no trabalho e nos podcasts que escuto sem parar. Por causa da política não escuto mais NPR. Tava chateada porque a NPR é simplesmente maravilhosa, mas daí entrei no mundo dos podcasts, ted talks, palestras no youtube e estou felicíssima. Aprendo tanta coisa, é tanta coisa pra ouvir, é um troço sem fim. Você vai pulando de um pro outro. Além de beber água, ouvir podcasts, eu caminho. Agora que está ridiculamente quente, eu faço rotas destrambelhadas dentro do prédio, caminho entre cubículos e escritórios de vidro, todo mundo me vê. minha amiga diz—muito bom, Fernanda!

Gentalha na minha vizinhança que colocou placa do Topato Drump na frente da casa durante as eleições, eu marquei com tinta vermelha na minha lista mental e agora quando passo em frente, atravesso a rua e falo entre-dentes: GENTALHA. Não quero saber as razões. Não perdoo, não quero nem pisar na calçada. Sou rancorosa por bons [na verdade, péssimos] motivos.

Me machuquei e não estou fazendo yoga pela manhã, meu iwatch vem então me dar bronquinha, mandando mensagem—normalmente você é mais ativa e já está com seus círculos fechados a essa hora. arrume tempo pra estar ativa hoje! Mas vejam só que audácia! Dá licença, meu querido??

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this ride has been amazing

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Tenho falado mais do que a boca, mas a boca está inteligente. Poucas vezes eu penso que deveria ter ficado calada, porque agora eu fico, antes de ter que me arrepender. A boca deve ser meu ponto crucial, porque é também onde aparecem os problemas [físicos]. Até outubro o meu esquema é comer três vezes por dia para tirar o invisalign apenas três vezes por dia e evitar estresse [na verdade tiro 4 vezes, uma delas pra tomar o leite vegetal]. Quinta semana e minha rotina está tão bem estruturada que talvez eu não queira voltar à normalidade, porque assim me sinto mais disciplinada [e estou].

A gente escuta essas histórias de gente de meia idade mudando tudo na vida. Pois é tudo bem real pra mim agora.

Ando bem sem paciência com gente que só fica naquele chorume eterno e não toma uma decisão, não planeja uma ação para substituir a reclamação. É chatice demais pra mim.

Verão I: os salva-vidas na piscina da minha cidade onde eu nado, todos high schoolers, esperando a entrada dos summer campers dançando e cantando hits dos anos 70.

Verão II: um bando de summer campers de uns 6 anos tava se trocando no vestiário da piscina. A maioria fazendo aquelas pataquadas púdicas, se trancando dentro da privada ou fazendo cabaninha com a toalha. Apenas uma delas, em pé no meio do vestiário, simplesmente tirou a roupa, ficou pelada na frente de todo mundo, vestiu o maiô e ficou ali esperando todas as outras finalmente se arrumarem. Olhei aquilo sorrindo com um pingo de invejinha, porque deve ser muito bom não ter neurose com relação ao próprio corpo. É assim que todas nós deveríamos ser!

Estou pensando em fazer um instagram secreto com meus looks diários. Porque todo dia ganho elogios no trabalho.  o povo lá é bem plain, mas tô me achando uma musa! Hahaha!

São 12 incêndios queimando simultaneamente aqui no norte da Califórnia. nNsso céu mudou de azul pra cinza amarelado, com sol vermelho. Respirar tá foda.

Ouvi e concordo: morango não-orgânico = uma bomba química.

Também ouvi que 12% dos millennials americanos são veganos. ♥︎

Estou muito viciada em podcasts.

Histórias do meu filho sobre encontros com ursos. ⊙﹏⊙

Conselho pra tudo na vida: keep showing up.

Down 15 pounds! \o/

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muitos pingos de mel

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we can not lower the mountain, so we have to elevate ourselves.

Estava olhando as revistas enquanto meu marido pagava as compras no supermercado quando um homem chegou perto de mim e disse—you’re a beautiful woman and should be happy everyday! Minha surpresa só me permitiu um agradecimento meio sem graça. O homem falou isso e foi embora, acho que fui o recipiente de um random act of kindness.

Fizemos uma tertúlia. 8 pessoas, comendo, bebendo e conversando por mais de 5 horas sem pegar num smartphone [exceção pras fotos da mesa e comida antes de sentarmos]. Me senti civilizada.

De um dia para o outro—pop pop pop! 🌻 🌻🌻🌻🌻🌻🌻 Vou sorrindo todo o percurso pro trabalho com a visão maravilhosa dos campos imensos de girassóis. Que coisa mais linda, quero imprimir essas imagens na minha memória.

girassois
girassóis com céu esfumaçado pelo incêndio em Capay

Sou a Anne Shirley [versão moderna da Netflix] abraçando e falando com a árvore como se ela fosse uma amiga. 💚

Chorei porque minha amiga, que é diretora de uma das unidades aqui na minha divisão, vai embora. um emprego melhor, como faculty na UC Davis. Uma das pessoas mais legais que conheço, queria que ela ficasse por aqui, mas o mundão é dela!

Meu chefe, um budista que não entende por que eu me incomodo tanto com pessoas negativas poluindo o ambiente de trabalho com reclamações e bufadas, chegou hoje todo estressadinho porque alguém foi extremamente agressivo com ele no trânsito. Pois é…. pimenta no ce-uh dos outros é refresco.

A coleguinha voltou de Chicago com latas de pipoca na mala. Uma ela trouxe pra nós. Sabores caramelo e queijo. A de caramelo, todos sabem como é boa. E a de queijo é uma versão pipoca do cheesitos. Peguei uma xicrinha de café, comi devagarzinho e BASTA! É uma delicia, mas não! Ela também trouxe temperinhos e chá. Tudo uma delicia. mMs esse negócio de trazer coisas pros colegas abre um precedente complicado, porque meio que obriga todo mundo a trazer também.

Toda vez que vou numa ponta de estoque aqui em Woodland e falo que não quero sacola plástica, que tenho a minha própria reusável, escuto que eles não cobram pelas sacolinhas e respondo IT’S NOT ABOUT THE MONEY. Me sinto em outro século, que coisa deplorável.

A mulher que tira as fotos mais lindas nunca aparece nelas. Já a que tira fotos feias está em todas. Nada contra os selfies, até eu faço uns. Mas só selfies cansa….. zzzzz #ronc Sem falar que hoje não precisa nem saber e nem tirar fotos para participar do instagram. aquilo lá já virou um tumblr. Fotos com crédito pra internet!

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a uva, passa

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Nas ultimas semanas comi os melhores damascos [da fazendinha], cerejas [da árvore da minha vizinha] e ameixas [do quintal do meu chefe]. Comer essa qualidade de fruta faz você ficar totalmente esnobe com relação às frutas refrigeradas de supermercado. É verdade, desculpe.

Já estou mapeando os campos de girassóis durante meu commuting diário. Estou vendo muitos e em lugares bem convenientes. Em um mês esses campos de girassóis vão estar floridos e tenho que planejar onde e como vou parar o carro, para tirar fotos. 🌻

Naquele app do Google & Arts onde você pareia sua cara com uma pintura, todas as pinturas que parearam comigo eram retratos de homens. Concluí que tenho um rosto masculino. Nem sei realmente o que dizer com relação à isso.

cabelo preso e óculos —homens

cabelo preso sem óculos —homens

cabelo solto de frente —homens

cabelo solto de lado —uma mulher velha, homens, um palhaço

cabelo solto sorrindo —duas mulheres, homens

Nem publiquei nada né? auto-humilhação pra quê?

Vira e mexe vivencio situações bizarras, como agora. Fui reclamar do barulho absurdo que a fulaninha fazia, bem atrás de mim, todos os dias, batendo com força as gavetas de metal. E a coisinha virou um MONSTRO e se virou contra mim, porque segundo ela eu também faço barulhos. E eu, mas que barulhos tão absurdos são esses que eu faço? Tive que pedir a intervenção do chefe, porque não sei lidar com agressividade e confrontos desse tipo. Pois o barulho que eu faço, que irrita a criatura ao ponto de fazê-la explodir é o meu cata milho no tecladinho minúsculo. Poucas coisas que escrevo, pois meu trabalho é mais clicar que teclar. Estou tão chocada. Pior, estou chocada e tendo que trabalhar com a fulana birrenta bem atrás de mim. Como não sei muito bem o que dizer, resolvi deixar isso registrado aqui. Que desafio.

Pra inaugurar o verão, 41C. Estou sorrindo [Zeeeennnnnn]

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o passado não condena