watching the wheels go round and round

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[quadra de boccia na frente da casa dos meus vizinhos]

Tem chovido pacas por aqui. Fui buscar os ovos na fazendinha e todos os campos agrícolas estavam alagados. Uma visão perturbante. Aqui é assim, se não chove, não chove mesmo. Se chove, chove até não poder mais.

Muita neve lá em Washington e acho que estamos pegando as rebarbas dessa friaca no oeste. Neste inverno usei blusas de lã que estavam mofando no armário há anos. Três semanas atrás guardei quase tudo, tive que resgatar tudo. Até lavei algumas, de tanto que usei!❄️

Emprestei o picker da minha vizinha, trouxe no carro pro trabalho e fui com minha amiga russa tentar pegar os últimos limões da árvore do outro lado da rua do meu prédio. Somos altas e o picker tem um cabo longo, pegamos uma sacola cheia, mas mesmo assim deixamos uns limões lá no alto pra trás porque pra pegá-los precisaríamos de uma escada. Concordamos que trazer escada seria um pouco demais.

Compramos um sofá na metade de dezembro. Ele chegou ontem. As pessoas compram sofá nessas lojas baratotais não só porque são baratotais, mas porque você leva o móvel na hora [ou entregam no dia seguinte]. Mas nós somos chiques e quisemos customizar, num sofá made in USA, com garantia de 50 anos, eteceterá. Haja paciência. O sofazinho que esse novo vai repôr tinha 17 anos e estava todo destruído pelo gato. Era um sofá cama da Ikea onde só o Uriel conseguia sentar, de tão desconfortável. Acho que progredimos.

Tô infiltrada em muitos grupos veganos/plant based e vejo muita coisa que me horripila. aqui nos EUA é o desespero de se igualar, de ter comida vegana nos fast foods da vida. Tem muita coisa boa, dicas legais, mas dá pra ver a tentativa deprê de replicar a dieta onívora. Outro dia uma pessoa colocou foto de um carrinho de um dessas lojas de 99 cents lotado de pacotes comida vegana processada. Os comentários que li eram––garota, onde é isso? também quero! 99cents, OMG!!

E eu 🙄 ––não é possível uma coisa dessas!!

Vi Beautiful Boy. o filme é bonito, mas fiquei muito irritada com aquele pai, aquela família de comercial de margarina. Sei lá, muito chatos, todos eles, inclusive o pobre menino lindo drogado.

Meu chefe mandou uma msg geral no slack dizendo––estou ouvindo o som vindo do headphone de um de vocês!

Adivinha quem estava ouvindo algo tão alto que o som “vazou” pela caverna??? sim, ele mesmo.

O cara é praticamente um milagre ambulante, sendo que não está surdo nem morreu de um ataque fulminante, dado que só se alimenta de porcarias, é uma nuvem negra negativa e vive estressado. Felizmente estou nos últimas dias desse pesadelo de 13 anos.

Muito chato ter um vizinho que acha que árvore é um estorvo que suja o chão e emporcalha o carro. Temos três árvores no nosso quintal que invadem a driveway dele e no ano que mudamos pra essa casa ele simplesmente podou tudo sem nos consultar. O Uriel ficou puto e reclamou. Este ano o sujeito veio avisar que iria podar por causa da “sujeira” [AFFFFFFF!!!!!!!] e mandou bala, como da outra vez. As árvores estão peladas de um lado e abriu uma luz intensa, porque elas são a nossa sombra! que gente mais burra, nem sei o que dizer.

Só existe uma explicação viável para aquela árvore de natal com luzinhas acesas na janela da casa em pleno fevereiro––toda a familia morreu lá dentro no começo de janeiro e ainda não descobriram os corpos.

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os bons [e maus] hábitos

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Está muito difícil acompanhar notícias do Brasil. E olha que estou entrando no terceiro ano do pesadelo Trump. Não tem como comparar. A vibração é diferente. Só sinto tristeza, pois entregaram o Brasil pros bandidos [e bandidinhos, daqueles bem chulés e estúpidos]. Todos pagarão a conta [menos os ricos, é claro]. Muito podre.

Agora estou na onda dos podcasts veganos. Tem muita coisa, nem tudo é bom, de qualidade. Muitos são uma conversa desorganizada entre amigos, com risadas descontroladas e berros, não gosto. Mas é um mundo muito interessante, muito cheio de nuances, estou nele por ideias. Minhas decisões já foram tomadas, não sinto nenhum arrependimento, nem acho que tenho que fazer melhor. Está bom como está, por enquanto.

Enquanto o tempo deixar, vou caminhar pela manhã e à tarde. Faço 50 minutos, no meio do dia de trabalho. E ioga, agora tem o remo, quando dá tempo. Estou obcecada em manter meu peso e me preparar para não ser uma idosa cheia de doenças. Se for pensar bem, em 23 anos terei 80 anos!

Estou atolada de trabalho, vou fazendo coisas e removendo camadas, um pouco por dia, daí vem uma avalanche, continuo firme, respiro, sigo em frente.

Tenho lido e escutado muitos livros. Esse foi um sonho que tive por muitos anos e estou realizando agora graças à tecnologia e as bibliotecas públicas das minhas duas cidades, que me proporcionam tornar isso realidade.

Muitas frutas cítricas no meu caminho. Peço e aceito. Não posso deixar passar essas oportunidades de inverno.

Esfriou, melhorou, vai chover.

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it’s raining in Northern California

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Tem chovido razoavelmente e ninguém ousa reclamar. Somos um povo desacostumado com chuva e é engraçado ver o desajeitamento do pessoal quando é pego pelos chuviscos ou aguaceiros. Começou a pingar água do teto da sala. Um lado do telhado tem problemas. Só descobrimos esses problemas quando chove, e como demora tanto pra chover tudo se acumula. Lá se vai muitos mils dinheiros pra consertar o problema. Dinheiro desperdiçado ou não. Meu talento é fazê-lo.

Por exemplo. Fiquei $95 patacas mais pobre para conseguir reentrar na minha casa, depois de ficar trancada pra fora. Aplausos para o pessoal da limpeza, que trancou a porta da garage por dentro. Eu entrei pra pegar coisas na geladeira e não consegui voltar pra dentro da casa. Uriel e Gabriel cada um numa cidade, duas horas de distância. Graças à ajuda dos vizinhos chamei o chaveiro, paguei e entrei em casa. Perdi minha hora do almoço nessa pataquada. Felizmente não tinha nada cozinhando no fogão. Agora tenho uma chave escondida dentro da garage, coisa que ja deveria ter feito antes. Mas antes tarde do que nunca.

Você pode se considerar um habitué quando o atendente do café completa a sua frase fazendo o pedido [sempre o mesmo, é claro].

Desencalhei um baú de blusas de lã e usei muitas—uma da Benetton que comprei no meu primeiro inverno no Canadá [no primeiro e único boxing day 1992]. Usei por 5 invernos lá e desde então frequentemente, depois esporadicamente. Já costurei buracos, dobro as mangas que estão esgarçadas. E continua útil. Virei a velha que usa roupa que comprou quando era jovem.

O sósia do meu marido jovem apareceu outro dia, vindo de uma reunião em Sacramento, com o blaser mais horripilante que eu já vi na vida. Dois números maior do que o dele, sem lapela com um decote em V abertíssimo, ombreiras, tecido brilhoso azul com uma trama de listra. Por baixo do fatídico blaser, uma camiseta polo listrada branca e azul. Ri, quietinha, por horas. Nem o moço original cometeria um crime fashion dessa magnitude!

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waiting for a miracle

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2018 foi um ano de certezas e grandes mudanças pra mim. Eu segui em frente com aquela atitude de quem sabia o que estava fazendo. Mudei tanta coisa, foi um ano produtivo, de crescimento. Aprendi tanto, fiz tanta coisa nova, fui positiva. 2019 já não sei. Não quero dizer que estou pessimista, mas estou apreensiva. Com muita razão. Hoje o dia começou triste e tenso, no final das contas melhorou, mas sabemos muito bem o que nos espera pela frente. Minha mãe disse que e está pedindo por um milagre. Eu também, eu também. Que seja o que tiver que ser. Mas quero muito ver esse milagre se realizar.

✨Feliz ano novo!✨

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green envy

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Tivemos o Thanksgiving, o primeiro no qual não servi nenhum queijo, e no qual tivemos peru mas eu não comi. E nem tive vontade. Essa experiência com um pé no veganismo me fez perceber o quanto é fácil ser vegetariano. Eu era feliz, na ignorância, e não sabia. Mas não estou arrependida, só estou triste que temos que fazer isso para não participar desse sistema doentio. No natal não teremos peru.

Minha amiga tirou o leite da cabra dela [que se chama Fitch], fez queijo e trouxe pra mim, de presente. Foi o primeiro queijo que comi em quatro meses. Foi delicioso!

Minha coleguinha disse que eu passo tranquila por “branca” principalmente no inverno, quando perco o “bronzeado”. Gostei de saber disso. Rsrs.

Fui perguntar para o mocinho como estava a família dele. Eles perderam TUDO no incêndio de Paradise. Daí ele falou por um tempão e me deu muita tristeza. esse incêndio nunca vai se apagar das nossas memórias.

Estava muito determinada a pegar os limões numa árvore do outro lado da rua do meu trabalho, que emprestei o picker da minha vizinha e levei comigo. Mal coube no carro, fui pro meio da rua com ele, mas valeu valer a pena. São limões Meyer!

Engraçado admitir isso, mas fico sempre muito bem usando cor de rosa.

Ouvi o Livro da Michelle Obama. Ouvi Harper Lee e Ray Bradbury. Agora estou ouvindo a Elena Ferrante. Estou apaixonada pela biblioteca pública e pegando audio e e-books nas bibliotecas de Woodland e Davis.

Hoje estou me sentindo tristíssima. Perdi até o apetite. Quero superar isso, porque não há nada que eu possa fazer, além de dar apoio moral e carinho. Estar presente da maneira que eu puder. May all beings be free of all suffering.

Está frio na Califórnia.

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[ os dias estão esfumaçados]

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me by gabe

Agora que achei os audiobooks na biblioteca pública, faço todos os serviços tediosos ouvindo livros. Terminei o Go Set a Watchman da Harper Lee, narrado pela Reese Witherspoon. Comecei a ler Fahrenheit 451 narrado pelo Tim Robbins. No audible estou terminando de ouvir Becoming Michelle Obama, lido por ela mesma. <3

O sósia do meu marido jovem tem sobrenome de escritor americano famoso. Pensando que era apenas uma coincidência, como o meu, perguntei nonchalant e ele é sobrinho neto do cara!

Já tenho uma receita de sobremesa pro jantar de thanksgiving. One down! Agora preciso de pelo menos umas outra cinco com legumes e verduras pra acompanhar o peru que meu filho vai fazer e eu não vou comer! iurru!

Meu chefe deu a ideia de comprar o jantar pronto e até que pensei no caso.

1. comprar jantar de thanksgiving [vegan ainda por cima]

2. deletar food blog

Perdi 10 quilos e pela primeira vez na vida [que eu me lembre] que vesti uma calça que era justa na cintura e tive que colocar um cinto pra ela não cair.

O outono está acontecendo lá fora, entre a fumaça dos incêndios, e nem estamos prestando atenção, porque não estamos podendo caminhar pelas ruas normalmente. Tá tudo bagunçado.

Troquei de roupa quatro vezes e fui vestida como uma mendiga.

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to see things as they really are

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my Vipassana on a plate
my Vipassana on a plate

Dez dias desconectada do mundo, dez dias sem falar, sem ler, sem escrever, sem pesquisar, sem ver previsão do tempo, sem tirar fotos, sem calcular quantos passos andei, dez dias sem google, dez dias longe do celular que ficou trancado num cofre, dez dias sem cozinhar, sem fazer yoga, sem dirigir, sem nadar, dez dias sem saber o que está acontecendo fora do meu espaço, dez dias em silêncio, dez dias de horários rígidos, acordando às 4am, dez dias ouvindo o mestre dizer “start again, start again”, dez dias sem conversar com meu marido, sem contar as coisas do dia, dez dias sem o estresse das notícias, dez dias tomando banho somente nos horários determinados, dez dias sem ouvir música, dez dias no mais absoluto silêncio.

Dez dias conectada comigo mesma, dez dias meditando em grupo ou sozinha, dez dias olhando o céu, as nuvens e as estrelas, dez dias comendo comida vegetariana levinha e gostosa que eu não cozinhei, dez dias bebendo chá, dez dias ouvindo os pássaros, dez dias olhando os esquilos, dez dias falando mentalmente [ou sussurrando] com as árvores, dez dias pulando buracos de gophers, dez dias ouvindo o pica-pau trabalhar dedicadamente estocando previsões pro inverno, dez dias ouvindo os sons dos insetos e dos acorns caindo das árvores, dez dias subindo e descendo morros, dez dias respirando o ar gelado da manhã, dez dias vendo o sol nascer na caminhada pro café da manhã, dez dias imersa numa enxurrada de pensamentos, dez dias deitada na pedra, dez dias olhando pra dentro do meu coração e da minha mente. Dez dias caminhando com atenção plena e vendo coisas que normalmente não teria visto, dez dias coletando delicadezas que vi no chão, dez dias subindo e descendo as escadas de degraus larguíssimos, dez dias respirando, respirando, respirando, dez dias inteiros, de horas exatas, sentindo cada segundo, cada minuto, dez longos dias, intensos, lindos, inesquecíveis.

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ainda é verão? [sim, é]

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Estou fazendo pequenas e grandes mudanças na minha rotina e na minha vida. 2018 vai ser o ano que vou lembrar sempre como o ano do desafio aceito. E completo. Subir a montanha, posso. Parar de tomar café, posso. Eliminar animais da dieta, posso. Fechar a boca [metaforicamente e literalmente], posso. Fazer pizza sem queijo, posso. Meditar, posso. Descascar 543221 dentes de alho, posso. Ficar sem celular, sem tirar fotos, sem ler, sem escrever, bom, this remains to be seen.

Quase chorei quando ouvi de dois fazendeiros que aquele dia era o último deles no farmers market da minha cidade. E me deu um pequeno pânico––não comi pepino o suficiente ainda! Então comprei um monte, de diferentes variedades. nosso farmers market é sazonal, só acontece no verão. O pessoal que vende lá só tem produto pra uma estação. Depois vai cuidar da terra, plantar, cultivar. por isso tudo lá é tão bom.

Um moço começou a trabalhar no meu prédio, é o novo coordenador de um programa. Vi ele na cozinha na hora do almoço, ficamos conversando [ele fala pra caramba!]. Desde o primeiro minuto que olhei pra ele fiquei com uma sensação estranha de familiaridade, sei lá, muito estranho. Depois que o moço foi embora caiu a minha ficha: ele é muito parecido com o meu marido quando jovem. Até mandei a foto do moço pro meu marido, pra ter certeza que não estou louca. O marido concordou que tem uma parecência mesmo. Tô bem ferrada, porque vou ficar vendo o meu marido jovem todo santo dia, isso vai certamente pirar com a minha cabeça! Tomara que ele seja bem chato.

É praxe no meu trabalho a gente fazer uma “meal train” toda vez que alguém saí de licença médica. Desta vez estamos fazendo isso para uma das minhas amigas. Além de fazer a comida em duas datas, estou levando a comida que outros prepararam pra ela todos os dias. Ela mora em outra cidade, num pequeno sítio no topo de um morro. São 40 minutos de viagem pra ir e outros 40 pra voltar. Mas não tem problema, porque pelo caminho vou vendo campos de tomate, pomares de nozes e amêndoas e ocasionalmente [por sorte] um veadinho e muitas lebres.

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o passado não condena