one day at a time

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Ontem completou um mês e tudo o que fiz durante o dia inteiro foi pensando nela. ❤️

Sem mencionar a quantidade enorme de coisas e assuntos acumulados que queria mostrar ou contar pra ela. Minha mãe.

Minha vida está muito estranha. O farmers market de Woodland começou dia 19 de maio e eu ainda não fui lá comprar tomates e outras delicias nenhuma vez.

Estávamos esperando pra entrar na piscina quando uma nuvem imensa do que parecia chuvisco de folhas minúsculas fez um redemoinho sobre as nossas cabeças. Eram abelhas. muitas abelhas. E revoaram todas juntas, num movimento de onda, numa altura segura. Fiquei muito agoniada e me preparei pra pular na água, mas a nuvem se virou e foi pra outro lado. Fiquei pensando o que foi aquilo e por que elas vieram assim, em nuvens, e vindas de onde.

Percebi dentro da piscina que meu maiô novo é cor de azul piscina, exatamente da cor da água onde estou nadando e imagino o salva-vidas lá no alto do posto me vendo nadar, braços e pernas, e uma cabeça.

Estávamos no Philz bebendo chá gelado sentados numa micro mesinha um de frente pro outro. eu estava falando sobre o livro que estou lendo e de repente ele faz uma daquelas caras engraçadas típicas dele.

Eu—o que foi?
Ele—é que você está muito bonita!

Meu marido! ❤️

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beloved

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Estávamos sentadas na cozinha da casa dela numa tarde calorenta de outono em Campinas, tomando um lanchinho e ela me disse que tinha tido um sonho enquanto descansava—os períodos em que ela dormia durante o dia devido à fadiga da doença. Ela contou que no sonho ela estava andando numa praia e a areia era cheia de pedrinhas que machucavam o seus pés. Ela queria alcançar o meu irmão, que estava mais à frente com outra pessoa que ela não reconheceu, mas as pedrinhas a impediam de chegar até eles.

Menos de dois meses depois de eu ter voltado das férias que passei com ela, as pedrinhas já não a incomodam mais. Espero que ela tenha chegado no Carlos Augusto e que a outra pessoa seja o Carlos Eduardo, meu pai. E que essa metade da nossa família esteja agora junta.

Minha mãe foi um fenômeno. Viveu uma vida intensa, do jeito que ela queria, fez tudo o que quis, nunca desistiu, nunca disse não consigo. Enterrou o pai, a mãe, os cinco irmãos, muitos amigos e familiares, o marido e o filho. Ela disse uma vez pra minha irmã—um dia meu corpo vai dizer, chega Odette! E esse dia chegou. Ela estava doente há mais de três anos, já era paciente paliativa. Estava frágil como um cristal, mas continuava, dentro do possível, com a vida normal dela. Fazia 3 tipos de aula de ginástica, tinha encontros do grupo de estudos de logosofia, para o qual ela estudava e traduzia textos. E fazia toda a administração da casa, resolvia os quiprocós burocráticos, deixou tudo ajeitado pra que ninguém ficasse estressado.

No dia da morte dela, ela foi dirigindo ao mercado pela manhã, almoçou, à tarde foi ao oculista, voltou pra casa, colocou a chave do carro no ganchinho da cozinha, disse “Cheguei Osmarina” e caiu. Achamos que ela morreu quase instantaneamente. Como toda morte deveria ser, sem sofrimento, sem hospital, sem tubos, sem perder a independência. Foi uma morte meio de surpresa, mesmo já sendo algo esperado. Minha mãe não quis causar alvoroço. Deixou apenas esse vazio que nunca mais vai ser preenchido. 🤍

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Bloom

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pitpat pitpat

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Empresa de energia solar bateu na nossa porta.

Meu marido: aqui não dá pra instalar os painéis porque temos muitas árvores grandes em volta da casa

Funcionário da empresa: ah, esse problema é simples de resolver, é só cortar aquela árvore ali do fundo [uma centenária].

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Pior é que deve ter muita gente que aceita cortar árvores centenárias pra poder gerar “energia verde” e economizar na conta de luz. Não estou criticando a energia solar, mas sugerir cortar árvore, pera-lá!

Outro dia chorei quando vi uma casa que removeu duas oliveiras maravilhosas, uma em cada canto da entrada. Árvores lindas, saudáveis, carregadas de azeitonas gorduchas. Removeram as raizes, foi uma “operação”. E pra quê? Posso imaginar que era porque sujava o chão.

O cheiro da vida que não existe mais—o sabonete liquido de erva-doce da Natura. Era o cheiro da casa dos meus pais, que agora não tem mais meu pai, nem meu irmão que também morreu, e os três irmãos restantes estão cada um numa cidade diferente, e as crianças todas cresceram e foram embora do país. Acho que esse cheiro e o sentimento que ele desperta é uma manifestação concreta da palavra saudade.

Nos anos 80, me recusei a ouvir o álbum do grupo Traveling Wilburys, porque possivelmente na minha cabeça eu não concebia a ideia de ver o Dylan num grupo. peguei rancor da balada mais famosa deles. Mas que burra, perdi de ouvir verdadeiras preciosidades. Agora, com 30 anos de atraso, corrigi esse erro.

Caí por acaso num vídeo com o Will Smith falando sobre o Bhagavad Gita e fiquei em choque. Queria até escrever o que ele falou, porque era pura sabedoria.

Saímos por aí e fomos vendo infinitos pomares de amendoeiras florindo, vaquinhas, carneirinhos e cabras nos pastos, colina salpicada com moinho de ventos, campos amarelos com flores de mostarda, vinhedos, vinhedos, vinhedos a perder de vista. 🚙

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ring out the old, ring in the new

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Depois de mais de dois anos voltei ao meu prédio de trabalho pois meu chefe me pediu pra limpar o meu desk, já que estarei trabalhando de casa até março de 2023. E depois talvez fique assim em definitivo. Trouxe de lá 3 caixas grandes cheias de coisas, mais uma sacolona de pano com toalhas, chinelos e itens de banho. Não lembrava a quantidade de objetos que fui levando e acumulando naquele espaço. Eram coisas de banheiro e casacos, mantas, echarpes, par de tênis, azeite rançoso, chocolates, chás, barrinhas de cereal, decorações, pratos, canecas, xícaras com pires, talheres, bules, french press, e um mundárel de itens aleatórios e miscelâneas. Meldels, eu realmente vivia lá naquele canto da caverna! Fiquei dois dias pra arrumar as coisaradas que trouxe pra casa, reorganizar, jogar velharias fora ou por na caixa de doação. Quando e se eu voltar, no futuro ainda bem incerto—talvez no máximo hibridamente 1 vez por semana, certamente tentarei levar muito menos bugigangas.

Mas o mais importante pra mim foi perceber que tudo realmente passa. Aquele prédio, aquele desk, minha vida social, as interações na cozinha, as caminhadas, o espaço todo que era tão importante pra mim, já não é mais. Achei que iria ficar triste, mas não fiquei. Voltei pra casa feliz e certa de que tomei a melhor decisão, de ficar em casa até a pandemia se normalizar e quem sabe apenas voltar pra um dia trabalhando localmente ou só para reuniões. Não consigo mais me imaginar passando 9 horas do meu dia num outro lugar que não seja a minha casa.

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o momento

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Meditação é uma prática muito sutil e delicada. Você senta todos os dias, por quantos minutos conseguir, e tenta alargar o espaço entre os pensamentos. Todo dia aquilo parece uma frustração, mas na realidade não é. É parte da experiência. Depois de alguns anos, quando você já pode realmente ter uma opinião sobre o que está fazendo e o que está acontecendo, um dia percebe-se lá uma micro mudança em alguma coisa quase transparente. Aos poucos, muito devagar, dá pra começar a perceber que algo muito tênue está acontecendo. Não se visualiza arco iris, como me disseram uma vez. É algo muito mais airoso, mas definitivamente presente.

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within You without You

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We were talking about the space between us all
And the people who hide themselves behind a wall of illusion
Never glimpse the truth
Then it’s far too late
When they pass away
We were talking about the love we all could share
When we find it, to try our best to hold it there with our love
With our love, we could save the world, if they only knew

Try to realise it’s all within yourself
No one else can make you change
And to see you’re really only very small
And life flows on within you and without you

We were talking about the love that’s gone so cold
And the people who gain the world and lose their soul
They don’t know
They can’t see
Are you one of them?

When you’ve seen beyond yourself then you may find
Peace of mind is waiting there
And the time will come when you see we’re all one
And life flows on within you and without you

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this bird has flown

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Me senti naquele meme da Renata Sorrah quando vi a foto da mãe do moço famoso que tem 37 anos e percebi que aquela era exatamente eu. Só que meu filho já tem 39, rumando pros 40. Todo dia tenho uma experiência assim, que me certifica que entrei numa nova dimensão da vida.

Acredito que vamos evoluindo e removendo camadas, já removi muitas, e estou removendo mais uma. Essa camada é a da finitude da juventude, o que inclui ver meus pais envelhecerem e morrerem. Esse é o ciclo natural, ver o tempo passar. O que fica difícil é ver pessoas que ainda não fecharam o ciclo partirem.

Então passo semanas imersas em coisas que tinha perdido de ver porque estava ocupada com outras coisas. O que estava acontecendo quando eu era criança, depois uma jovem adulta mãe, e nós anos intermediários quando só pensamos em nos encontrar, ser a pessoa que fomos destinados à ser.

Agora o meu horizonte está mais nítido, menos pensamentos distraídos e ruídos que te impedem de ver certas coisas, ou te fazem ver outras de modo exagerado.

Está chovendo muito e isso faz os californianos felizes, apesar que aqui parece que ninguém possui um guarda-chuva.

Fui à uma festinha domingo, confraternização dos vizinhos. E comecei a sentir sintomas estranhos. Fui imediatamente fazer um teste pro Covid, porque hoje não fico protelando nada. Só não faço mesmo o que não posso ou não consigo. Tenho certeza que peguei um bug de gripe, mas não quero ficar com nenhuma duvida.

Ainda não fiz as contas de quantos livros li este ano, mas estou mantendo o ritmo e foram muitos.

Em menos de duas horas entro em férias. \o/

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o passado não condena