2000—2020

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vinte anos do <strong>The Chatterbox</strong>
vinte anos do The Chatterbox
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quarta fase

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Monkeys just pretend to be less intelligent than humans so they can avoid paying taxes and going on a job search.

Na reunião virtual uma colega vestida com uma camiseta com os dizeres—Alexa, reset 2020!

Fico querendo escrever coisas sobre esse período tão incomum que estamos vivendo, pra deixar registrado. Mas não tenho inspiração, nem vontade. Queria registrar que essa pandemia teve, pra mim, até agora, três fases. A primeira, do choque, presos em casa, meu marido e eu, nossas caminhadas, meu filho na cidade vizinha, o aniversário dele na frente da casa. A segunda fase com a volta do meu marido pro trabalho em Mountain View, a partida do meu filho pra Washington, minha volta à piscina, dias quentes, fazendo e assando muitos pães, acordando com o sol às 6am, muita energia, muitos projetos. E a terceira fase, com o começo dos incêndios, a fumaça, muitos dias sem poder nadar, pouco sol, o dia amanhecendo mais tarde, muito calor, parei de fazer os pães, fiz muitos fermentados, li bastante livros, me preocupei muito, com todos, com a politica. O gato está muito chato e velhinho. Estamos, será, saindo dessa fase, entrando na próxima, medo do futuro, outono chegando, folhas caídas pela cidade, uma saudade grande das coisas que não podemos fazer mais, muito amor pela minha familia, aqui e lá. Agora a tensão é imensa, pois não sabemos que futuro teremos, no país, no planeta. Mas seguimos todos em frente, pois tudo que começa termina, como tudo nessa vida.

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falamos sobre ele

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Um veleiro passa na brisa da manhã e parte rumo ao oceano.

Ele é a beleza, ele é a vida.

Olho até vê-lo desaparecer no horizonte.

Alguém diz ao meu lado: “ele partiu”! Partiu para onde?

Partiu para longe do meu olhar, é tudo! seu mastro continua alto. Seu casco ainda tem força para carregar sua carga humana.

O desaparecimento total das minhas vistas está em mim, não nele. E exatamente no momento onde alguém diz ao meu lado: “ele partiu”, existem outros que, vendo-o aportar no horizonte e ir na sua direção, exclamam com alegria: ‘Ele está chegando!’

Isso é a morte…Não existem mortos.

Existem seres vivos nas duas margens.

William Blake

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acontecimentos

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the pandemic report

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Aqui na nossa pequena bolha arborizada o que estamos vendo diariamente quando saímos pra caminhar pela vizinhança é um negócio até bonito. Nunca tinha visto famílias inteiras caminhando a tardezinha, filhos nos patinetes e bicicletas, bebês no carrinhos, a onipresente cachorrada feliz tomando uma fresca, correndo pra pegar o freebee nos gramados. A população saiu da toca, já que não há outro entretenimento fora de casa, a não ser essas caminhas pelas ruas. Nas caminhadas vamos acenando, cumprimentando gente que nem conhecemos e mudando de um lado para o outro da rua, para respeitar a distância ultra necessária, mesmo essas sendo bem largas e as calçadas generosas. Outros vizinhos apenas sentam nas suas varandas olhando o movimento, acenam um hello para quem passa, uns conversam, outros bebem vinho. De uma certa forma está tudo mais animado, muito mais agitado do que antes, quando se podia ir em bares, restaurantes, parques, museus. tem mais interação, apesar do distanciamento, que aqui mede 6 feet [1.83cm].

Faz três semanas que não enchemos o tanque do carro e o preço da gasolina está só baixando, baixando.

O Uriel leu que esvaziaram os abrigos de animais em New York. Foram todos adotados! Durante crises nós contamos com quem para nos dar conforto? Com eles, é claro!

Eu li que aqui na roça acabou o estoque de pintinhos, mercadoria [sic] muito comum na primavera, quando todos renovam os galinheiros. As pessoas querem garantir os ovos.

E nunca se cozinhou tanto. Sumiu farinha de trigo e fermento dos supermercados, estressados e não-estressados, todo mundo fazendo pães.

O Gabriel contou que a Serena está trabalhando sem parar na nursery, porque é primavera e normalmente a demanda por plantas, ornamentais e comestíveis, é enorme. Mas agora a demanda está imensa. Todo mundo querendo garantir a salada. Esses serão os Victory Gardens da guerra do século 21.

Nossa nova deadline para voltarmos à normalidade foi empurrada pra 1 de Maio, mas não contem com isso.

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duelo

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A mulher com o cachorrinho fofo estava vindo na minha direção e eu já tinha me armado com um elogio para fazer pro bichinho, mas ela foi mais rápida no gatilho do que eu e antes que eu pudesse dizer um “a”, disparou:

—what a cute outfit you’re wearing!

Fui pega de surpresa e só me restou dizer —thank you!

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way too many nabos

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Estou num país que está tentando remover um president corrupto e sem caráter.
E não estamos em 1992.

Se não houver impugnação, remoção e punição, os EUA perderão definitivamente a liderança no mundo livre e não serão mais um modelo de democracia.

Fiquei bem quase um ano sem ler a revista Bon Appetit no iPad. Nutro dia entrei lá e vi que removeram a interatividade da revista. Era a única que ainda valia a pena assinar por ser fácil de ler na versão digital. Agora virou apenas uma réplica da revista impressa.

Juntou essa desilusão com a minha repulsa progressiva por receitas com carne, então sem nem piscar disse goodbye old friend, see you in another lifetime, quando tudo será obrigatoriamente interativo e comer animais já esteja em completo ostracismo.

Noutro dia cheguei a conclusão que não existe mais salada só com verduras e legumes nos restaurantes. TODAS as saladas levam queijo ou algum tipo de carne [incluindo bacon e similares]. Ou pior, levam ambos, carne e queijo. Que belabosta isso!

Tem nabo demais dentro da minha geladeira.

“Siri, remind me to put the pickles in the fridge.”

She did.

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um tributo

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Eu e o Uriel estávamos caminhando pela calçada, de mãos dadas como sempre fazemos, quando um carro parou no meio da rua, um homem baixou o vidro da janela e falou:

––que bom ver que ainda existe amor no mundo e que os casais ainda andam de mãos dadas!

<3

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o passado não condena