mergulho

*

Algumas coisas que fazemos naturalmente revelam alguns traços importantes da nossa personalidade. No meu caso, eu nunca fui de botar pesinho na água da piscina e ficar falando ‘que fria!’, enrolando pra entrar, fazendo vai-que-vai, entrando aos pouquinhos. Comigo é tchibun e fim. Entro de cabeça, mergulhando e me molhando inteira. Dou um berro inicial e depois saio nadando. E tenho uma forte tendência para fazer a mesma coisa com praticamente tudo na minha vida. Nunca experimento, nunca planejo, nem vou e volto, fico refletindo, matutando, indo devagar. Comigo é tchibun. Mergulho de cabeça nas coisas e só quando já estou imersa que vou me tocar onde estou, sentir frio, medo, seja lá o que for. Uns me consideram impaciente, outros inconsequente, e outros simplesmente me acham desorganizada e passional.
Como a vida é uma escola, ela nos faz sentar ao lado de alguém totalmente diferente de você, para te acompanhar nesta jornada. E no meu caso eu divido a carteira com alguém extremamente metódico, que precisa planejar com cinco meses de antecedência, adora ler mapas, colocar esquemas no papel, anotando e fazendo contas e cálculos com aquela caneta que ele sempre tem no bolso, ou puxando a calculadora eletrônica da malinha, fazendo pesquisa, tentando descobrir antes a temperatura, a densidade e o nível de poluicão da água da piscina onde ele vai – talvez – entrar e nadar.
Eu aprendo muito com essa convivência, mas quem eu sou sempre se impõe de maneira mais forte e eu acabo desprezando os mapas, os roteiros, os planos, as opiniões alheias e tchibun, pulo na água sem pensar, nem piscar ou olhar pra trás.

  • Share on:
Previous
jardim
Next
The Jane Austen Book Club
  • Fer, o sucesso de uma relação está justamente em saber conviver com as diferenças e aprender com elas. O mesmo aconteceu comigo. Eu e Rolf somos opostos em muitos aspectos: eu impulsiva, ele controlado; eu obsessiva e ultra-organizada, ele se encontra na sua bagunça; ele planeja, lê bulas e manuais de instrução até o final e eu faço da forma como acho que devo fazer e depois reclamo que estraguei o negócio … Depois de 8 anos não somos mais os mesmo e continuamos a mudar e a aprender com a convivência. Isso é muito legal e dá sentido à relação!!!!!!!
    Beijocas!

  • fer, eu também sou assim: me jogo e depois me situo. todas as (poucas) vezes em que tentei ser diferente pra ver como é, me ferrei. então, continuo feliz assim 🙂
    do chão a gente não passa, né?
    beijão

  • Fer,
    Eu queria ser “tchibun” também, porque, ó, eu sou do tipo pensa-pensa-pensa-e-acaba-não-fazendo. Ser “tchibun” deve ser a melhor coisa! 🙂

  • Muita coincidência mesmo! Até a caneta sempre no bolso o rapaz aqui em casa tem. Inclusive quando vai dar suas caminhadas, quando ele leva inclusive o bloquinho de anotações 😀
    Agora, não acredito que você seja libriana!!! Porque eu debitava o comportamento do maridão ao signo (ele sim é libriano) mas já vi que terei que rever meus conceitos… Eu mesma sou ariana (com ascendente em aquário) – quer combinação mais impulsiva que essa?
    Beijocas

  • Fe, acho que eu e a Vanuza damos certo por isso. EU particularmente acho que quando um casal eh igual, acaba nao dando tao certo. Porem, quando sao meio que, digamos, opostos, essa diferenca faz com que fiquem mais proximos, mais unidos e acima de tudo podem enxergar coisas que, sendo iguais, nao enxergariam.
    beijo

Deixe uma resposta para ana maria Cancelar resposta

o passado não condena