no escuro

*

Não pensem que eu desisti. Continuo dando as minhas braçadas e pernadas, só que agora é sob a luz da lua. Não vou negar que achei estranho. Aliás, estranhíssimo. Mas fazer o quê? Não consigo ir nadar às seis da manhã, então tem que ser às seis da noite. Tudo escuro, um friooo, eu visto o meu maiô esbagaçado, porque biquini com frio e lua não dá, e tchigun. Invés das nuvens de floquinho, sol quentinho, passarinhos e aviões militares cruzando o céu azul, é aquele breu, um preto salpicado de estrelas, tudo tão escuro que mal vejo as árvores. E a escuridão se mistura com o vapor que sai da piscina, criando um climão diferente. Mas tudo isso não é nada, comparado com o meio metro de caminhada do vestiário pra piscina e da piscina de volta pro vestiário. Preciso trazer um chinelinho, porque o pé dói de pisar no cimento gelado. E o que não está gelado? Sério, é um sacrifício maior do que eu acharia que poderia tolerar. Mas a visão de uma mulher-saco-de-batata sentada numa cadeira de frente para a tela de um computador por quase oito hoas diárias me faz superar o frio e o escuro. Na verdade eu sempre admito alguns minutos após o primeiro mergulho, que essa hora dentro da água, mesmo no escuro da noite, é bom demais, bom demais.

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o passado não condena