na tonga da mironga do kabuletê

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Quando os fogos de artifício começaram a pipocar, eu já estava deitada, de luz apagada, vendo Sergeant York na tevê. Fizemos uma maratona atrás de um restaurante aberto para almoçar. Acabamos no supermercado, comprando ingredientes para preparar um rango brejeiro em casa mesmo. Vimos de relance os bicicletistas pedalando por downtown. Esse foi o nosso 4th of July.
Estou no quarto de hóspedes, onde vou ficar até agosto. Sou sempre protagonista de histórias bizarras. Precisa de uma? Me avisa que eu tenho muitas. Uma nova inquilina mudou-se para a nossa guest house, fechou as janelas, ligou o ar condicionado e não desligou mais. O trambolhão, que dá para o nosso quintal e pras janelas do nosso quarto, faz um barulho insuportável. Ela não paga eletricidade. E não aceitou o nosso pedido de desligar o treco durante a noite. Quiprocós pra cá, quiprocós pra lá, foram quase dois meses estressando e arrancando os cabelos, até finalmente conseguir que ela nos desse uma explicação. Ela não desliga o a/c e abre as janelas porque tem alergias, e um cachorro de três pernas. Dois bons motivos para infernizar a nossa vida e nos fazer mudar de quarto. Já recebeu o convite para retirar-se. Muda-se em agosto, quando poderemos finalmente voltar à vida normal, como abrir as janelas do nosso quarto à noite e almoçar ou jantar no nosso quintal.
Hoje, péssima notícia vindo da minha dentista. Como eu odeio essa raça de profissionais. Nada pessoal, entendam.
Mas que gente fina, culta e civilizada, hein?
A hipocrisia, a hipocrisia máxima: fulanetes que criticam e ridicularizam nos outros, coisas que são igualmente criticáveis e ridicularizáveis neles mesmos. Que tal começarem a se olhar de vez em quando num espelho, queridos?

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  • Fer…no apertamento que eu morava há uns dois anos atrás…tinha uma tarada que dizia ter medo de um gato de 4 meses…como não pagava eletricidade usava ar-condicionado 24 horas por dia e a máquina de lavar também. E ainda por cima se fazia de chique. Tenho pavor de gente assim… Beijocas.

  • Não querida.
    O estoque de histórias bizarras é the marrow of your life como uma característica bacana, divertida que nos deixa a todos muito having fun, porque nos reconhecemos em você . Mora dentro de você um Stan and Laurel , for instance, e aquele homem da boca de nojinho.
    O que eu estou boba é como a cada momento descubro mais coisas fantásticas. Descubro o que já sabia.
    Sua sabedoria em apontar o que outros olhos e passam batidos.
    É sim, Fer, i’m in chair de poule.
    Justamente essa gente “fina, culta e civilizada” -civilizada my ass- devia ter mais e merecia que houvesse olhos mais críticos como os seus para denunciá-los.
    E a coisa é tão grave que vi na televisão que enqanto eles atacavam faziam os gestos nazistas: Ou seja talvez eles não saibam, mas ser rebelde na Alemanha é apelar para a destruição. E devstação.
    E os brasileiros, paulistas e cariocas é que pagam o pato.
    Um beijo matinal e muito solidário e admirador do seu jeito especial de ser.
    Tô saindo por médico…
    Qundo puder deixe uma letrinha sobre aauelas cartas. Qualquer palavra sua, mesmo It’not for me, alegrará essa sua amiga querida que a adora.
    Porque será o seu prestígio lá e ele faz falta. Muita falta.
    Com amor
    Meg Lee Eastwood

  • Fer, realmente acho que você é mestre em histórias bizarras. Eu mesma já li várias por aqui. E fiquei meio surpresa com o fato do cachorro ter três pernas. Eu tive uma gatinha persa, que deu três filhotes e uma delas tinha apenas três pernas. Era um horror, porque a gente apertava de leve e sentia a perninha lá dentro. Ela simplesmente não se desenvolveu noemalmente e a perninha não saiu pra fora. O que será que aconteceu com esse cachorro, coitadinho?
    Agora, a dona que se dane né?

  • Fer,
    andarei sumido este mês, por um motivo muito bom: férias! Mas a qualquer momento, na primeira lan house que entrar, volto a postar e venho te visitar, certo?
    Abração.

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