I know we’ve come a long way, we’re changing day to day

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But tell me, where do the children play?
Minha tia Anah me disse uma vez, do alto dos seus quase oitenta anos, como somos incrívelmente ingênuos na nossa juventude, achando que nada nos atingirá, que nada de ruim vai nos acontecer, e que não vamos morrer, nem envelhecer. Ela me contou que tinha absoluta certeza – ah, imagina! eu não! nunca vou ficar velha! Mas ficou. Abriu-se uma ampla janela na minha consciência e comecei a perceber o que nunca tinha percebido e ando pensando em coisas que nunca tinha pensado antes. É mais ou menos como quando chegamos na puberdade e deixamos de ser crianças. Perdemos a carinha infantil, o corpo se transforma, os hormônios borbulham, o psiquê muda e é aquele dramalhão, rios de risadas e lágrimas descontroladas. Acho que temos uma outra fase bem semelhante na nossa maturidade, depois de anos com a mesma cara e corpo, coisas começam a mudar e começamos a ver nossos pais refletidos no espelho, os hormônios borbulham novamente, o psiquê muda e começa tudo de novo, só que desta vez com uma perspectiva bem diferente. Estou justamente aqui. No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.

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  • Fer, eu também me encontro na mesma situação. Esse negócio de envelhecimento, se visto pela ótica da, digamos, mídia, é mesmo assustador. Mas isso é uma loucura, na maturidade e na velhice somos privados de algumas vantagens, como também o fomos na infância e mocidade.Lá atrás, tínhamos juventude, força e beleza. Mas faltava discernimento e sabedoria. Agora, se aquelas vantagens vão escasseando, essas últimas vão aumentando! E tem mais: aqueles vantagens eram passageiras, essas são perenes!

  • Sempre visito o seu site culinário e hoje resolví conhecer o seu blog.
    Percebo que estamos no mesmo ponto de maturidade física só que a cabeça demora muito para acompanhar essa coisa hormonal e desequilibrada.
    bjs

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o passado não condena