número novo feliz

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Em trinta minutos será ano novo no hemisfério sul. Aqui ainda temos muitas horas pela frente até as doze badaladas e folguetório. O dia foi normal, como um último dia deveria ser. Troquei, lavei, sequei, dobrei e guardei roupas de cama e banho. Almoçamos sopa de lentilhas, cenouras cruas e azeitonas. A sobremesa ficou ótima. Tirei fotos, li sentada na cadeira de balanço, terminei o livro, vi Gary Cooper e Jean Arthur no final feliz e estou vendo Fred Astaire e Ginger Rogers dançarem The Continental pela milhonésima vez, Chorei, dei gargalhadas, cortei as unhas, pensei 8730989 vezes sobre que roupa vestir à noite e ainda não decidi nada. Falei ao telefone, ouvi os preparativos do outro lado. Dissequei com uma faca afiada um belo pedaço de rack of lamb. Pensei em sair para comprar uma echarpe azul marinho, mas desisti. Rasguei envelopes, rearranjei os livros, pensei no que comerei no jantar—nada de ostras! Beberei champagne? Verei os fogos? Aguentarei o frio? Sentirei algo diferente amanhã? Tenho certeza que tudo será exatamente igual, com a diferença que terei que prestar atenção no número que mudou. Feliz ano de dois mil e oito—o-i-t-o-o, não esquece, tá?

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o passado não condena