*Pés nas Nuvens [05/10/99]

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*se eu não publicar alguma coisa aqui, este blog vai sumir, então reciclo um texto do século passado, porque recordar também é viver.

Nós somos uma família de massagistas desajeitados e amadores. O marido massageando os pés da esposa. A mãe massageando, beijando e admirando os pezinhos do filho, antes deles virarem pezões e partirem. Massagens de pescoço, de braços, de costas. Tudo sem pretensões terapêuticas. É tão bom.
Depois de ler uma mensagem ‘zen’, me inspirei e fui fazer uma massagem nos meus pés, porque fazia tempo que eu não fazia isso com cuidado. Mas tem que usar um creme bem bom e cheiroso e depois colocar meia—e sair pisando em nuvens.
Eu parei de ter dores nas costas quando deixei de ser magrela e quando parei de estressar pelo futuro. Agora estresso só o ‘agora’. E logo ventilo, pra não acumular nó no pescoço. Tem ajudado. Faz alguns anos que não preciso de quiroprata.
Precisava mesmo dessa massagem nos pés. Os coitados agüentam tanto. Já pensou o peso, a responsabilidade de não deixar o corpão cair? E correndo pra lá e pra cá o dia inteiro? Hoje à tarde eu andei milhas dentro do playground da minha escola. Amaciando minhas novas botas de jeca-tatu-trabalhadora, estou mentalizando ondas positivas para meus pés não fazerem bolhas. Senão vou ter que voltar pros tamancões ortopédicos [cloc cloc cloc] por todo o inverno. Não, meus pés estão cansados, mas estão inteiros.
Estreamos a segunda-feira de estação nova. Grama plantada fresca no playground e chão forrado de folhas amarelas. Alguém me disse olhando pras arvores e abraçando meus ombros :
—Que coisa mais bonita essa natureza…
A rotina não muda, mas a paisagem encanta os olhos. Outubro é realmente meu mês favorito! Ontem cortei umas abóboras em guirlanda, que as crianças adoram colorir. E fiz tinta laranja pra pintura. E massinha de modelar cor de abobora com purpurina brilhosa. Girei um fantasminha feito improvisadamente com um filtro de café, preso numa cordinha… BOOOOO….BOOOOO….. As crianças correram pela sala às gargalhadas!
Um ventinho sopra e vem uma chuva de folhinhas douradas. Uma criança sai gritando:
—o inverno está chegando! o inverno está chegando!
Vamos com calma!, vamos com calma, que por enquanto ainda estou curtindo o Outono.

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o passado não condena