e aí, já acabou?

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Eu detesto esportes. Nunca assisto eventos competitivos e não ligo a mínima pra quem ganhou, menos ainda pra quem perdeu. Acho tudo uma chatice monstruosa, não desperdiço um micro-segundo do meu tempo com esportes. Mas as olimpíadas me fazem pensar e lembrar de outra coisa. Durante o tal evento, em 1992, eu estava com a minha casa piracicabana toda desmontada, esperando para embarcar para nossos anos no Canadá. O Gabriel já estava na casa dos meus pais em Campinas, o Uriel estava correndo pra lá e pra cá atrás das últimas e definitivas burocracias e eu passei uns dois dias no apartamento vazio, somente um colchonete fino de solteiro estendido na sala, onde tinha também uma tevê preto & branco que só pegava um canal. E nele passava eventos das olimpíadas em Barcelona. Não lembro de assistir nada em particular, mas a tevê permanecia ligada só para quebrar o silêncio da casa vazia e apaziguar minha ansiedade e angustias com a perspectiva da nova vida que iríamos iniciar. Toda vez que acontece uma olimpíada eu somo quatro anos à nossa empreitada internacional que ficou definitiva e que com essa última completa 16 anos.

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  • Oi Fer
    Essa possibilidade de vida fora existe na minha vida e me deixa confusa: ora quero ir, ora não; ora parece divertido, ora amedrontador… Deve ser assim com todos. Algum dia espero conseguir chegar a uma conclusão: vou ou fico?
    16 anos… Bastante. Você pensa em volta algum dia?

  • Oi Fer,
    Tb estava longe do Brasil nessas Olimpiadas. Aqui na França, tudo é mais traqüilo, quase ninguém fala sobre o assunto, parece que o evento passa em outro planeta. Chorar pq o fulando ganhou ou perdeu, nem pensar! So a imprensa, que evidentemente, da o espaço que o encontro merece; Fora isso, a vida segue seu curso normalmente…
    Um abraço!

  • Oi Fer… Parece que vamos ser “ch(x?)arás” de memória. Estou aqui, olimpiadas na tv, correndo atrás de papéis pra visto, pensando em o q fazer com esse monte de coisa q juntei em 2 (!!!) anos de casamento, marido se preparando pra estudar fora… É decisão em cima de decisão… Marca consulta no médico, vende carro ou espera sair o visto, isso vende ou isso guarda pra quando voltar? E se não voltar? Ai, ai, ai.. Vc tem alguma dica dessas logísticas pra uma esposa de um agora estudante, e q vai passar a contar a vida de 4 em 4 anos? Será que poderiamos trocar emails?
    Abraços

  • Finalmente encontrei alguém que sente o mesmo que eu em relação a esporte. Acho pura perde de tempo e, pior ainda, se dar um valor extremado a algo que não tem a menor poesia, nada que mexa com a cabeça…
    Agora mesmo, aqui no trabalho, a TV está ligada e estão todos de olho na telinha que transmite uma partida de futebol. Brasil jogando sei lá com quem.E, eu enquanto isso lendo seu blog.
    Muito melhor.
    Lylia

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o passado não condena