abri o bico

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O negócio é bem claro—se eu não ligo pra ninguém, ninguém liga pra mim. Fiquei tão longe que parece que desapareci.
Com todos esses falatórios de crise, cortes, redução de salários e de horas, é fácil tremer na base. Meu grupo de trabalho é relativamente pequeno. Tem o pessoal da web que consta de doze pessoas, incluída eu, e o pessoal das publicações, onde deve ter mais uns doze, além dos acadêmicos, que devem ser mais uns dez. Parece uma família. E o pessoal ganha broches e medalhas por anos de dedicação. Eu poderia ficar trabalhando neste lugar para sempre, ficar uma velhota pedalando a bike, reclamando do calor, fazendo e rindo de piadinhas de geeks. Mas não tenho uma bola de cristal, então só divago sobre a insustentável leveza do não saber.
Finalmente a tal obrazinha que planejei fazer no quintal por mais de dois anos ficou pronta. Não ficou exatamente como eu queria, mas carrega mil possibilidades. Só que agora quem cansou de fazer planos fui eu.

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o passado não condena