modo de fazer

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Anos atrás, quando eu passei por uma febre de tricotagem, comecei um projeto de fazer quadrados coloridos pra mandar pra um lugar que esqueci. Era para virar uma manta eu acho, mas acabou virando um projeto abandonado, que se dissipou nas brumas da vida corrida e mundana.
Eu não tricoto mais porque agora eu cozinho obcecadamente. E o meu cozinhar ficou amplo e envolve ler livros, procurar receitas e idéias, além de preparar as comidas [e limpar—argh!], fotografar, editar, escrever a receita, tralálá.
Mas eu realmente não sinto falta de tricotar, porque nunca fui boa nisso, como nunca fui boa nas costuras. Costurei por muitos anos por falta de opção. As lojas não vendiam as roupas que eu queria vestir, no meu tamanho e do meu jeito. Então fui aos panos e às agulhas. Era também por economia, pois naquela época era mais barato comprar um paninho e fazer bonito. Hoje, com essa invasão de made in sweatshops, já não acho costurar nenhuma vantagem econômica.
Também lembro da onda de fazer bijoux com miçangas, que foi mais um exercicio de paciência, de ficar quieta, de atenção, além do da criatividade. Eu preciso ter um canal pra minha criatividade e então invento modas, mesmo não tendo nenhum talento. Abandonei as miçangas, as linhas, os panos, as lãs e as agulhas. Agora minha atenção está nos rangos, nos pratos, nos talheres e copos. Até quando? Não sei, veremos.

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  • Fer, há uns quatro anos atrás, tentei aprender a tricotar, mas rapidinho vi que não era a minha, viu? Sei lá, acho que não nasci pra tricô, crochê, bordados. Costurar, eu até sei, não é grande coisa, mas gosto de fazer minhas cortinas, almofadas e até toalhas de mesa quando encontro tecidos bacanas. Mas como vc tem sua atneção voltada à cozinha, a minha está voltada pra decorar minha casa, desde que a compramos, temos gastado tanto na reforma, que qualquer cosinha que eu tenha que colocar lá dentro, tem que ser feita por mim mesmo.
    beijos

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o passado não condena