a vida social [dois]

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A minha participação um tanto quanto ambígua nas redes sociais tem me deixado reflectiva sobre o que tudo isso realmente significa pra mim. Na vida real eu não sou, nunca fui, uma pessoa gregária. Nunca fiz parte de turmas, grupos, clubes, gangues. E na vida virtual eu pareço seguir o mesmo padrão. Comigo também não rola usar apelidos, nem criar personalidade virtual misteriosa, escondida atrás de um avatar místico. Também não consigo usar as mídias para fazer zilhões de amigos, embora faça amizades, mas no meu ritmo e esquema. Frequento todas as rodas virtuais, mas não sou uma figura popular ou notória. Mas isso acontece porque simplesmente não consigo fazer diferente. Vira e mexe me imagino adolescente e as redes sociais como o páteo da escola, onde você pode estar sozinho, com um amigo ou numa turma. Transpondo isso para a vida real, tenho certeza absoluta de que pelo menos metade das pessoas com quem eu tenho contato virtualmente não me convidariam para fazer parte da sua turma. E vez e outra me transporto para um cenario que marcou o inicio da minha adolescência, onde uma dupla de meninas apontando os dedos na minha direção, gargalhava diariamente durante os intervalos das aulas me deixando completamente deprimida e perturbada. Tudo porque eu, que cresci rapidamente e fiquei alta e desengonçada, vestia uma calça fora de moda e que tinha ficado pula-brejo.

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