guitar man

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Fez um ano que me despedi do meu pai. Abracei ele e falei que tudo iria melhorar. Ele não me abraçou de volta, mas disse que minha visita tinha sido muito boa e que eu e meu filho e a minha prima sempre trazíamos alegria na casa com nossa presença. Eu tinha certeza que tudo iria melhorar. Meu pai estava muito infeliz com toda a situação debilitante que a doença lhe tinha imposto, mas no dia em que me despedi ele parecia estar esperançoso.
No sonho eu estava numa casinha branca decorada num estilo country com muitas almofadas coloridas, muitas delas feitas por mim. Eu estava limpando a casa. Meu irmão colocou um disco pra tocar na vitrola e a música encheu a sala com um som familiar. Era um album de uma banda americana que ouvi muito quando criança. Meu pai estava sentado numa espreguiçadeira, vestia uma camiseta azul turquesa e estava com o cabelo branco comprido penteado todo pra trás, como ele sempre teve. Ele pegou um livro de uma estante e logo colocou de volta. Ele estava com uma cara super feliz, os braços levantados com as mãos em concha apoiando a cabeça como ele sempre fazia quando estava contente. Pensei, que bom que estamos tendo a chance de conviver com o papai mais um pouquinho.
Acordei na casa escura e vazia. Desci pra preparar meu café na cozinha com a música ainda ressoando na cabeça e desabei num choro descontrolado. Apesar de ter sido apenas um sonho, foi uma sensação muito reconfortante poder rever meu pai feliz e junto da gente mais uma vez.

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o passado não condena