o lenço

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Outro dia fui trabalhar usando um lenço de pescoço que tem uma história peculiar. É um lenço com estampa de pele de animal. Nunca achei que fosse o meu estilo, mas acabei mudando de ideia. Meu irmão me deu esse lenço de presente, anos atrás quando ele foi morar em Londres. Eu guardei o lenço como recebi, na caixa, embrulhado lindamente em papel de seda. Nunca usei e um dia resolvi dar ele de presente pra outra pessoa. Uns anos depois recebi um presente da pessoa pra quem eu tinha dado o lenço e quando abri—adivinha só— era o tal lenço, ainda na caixa, embrulhado lindamente em papel de seda. Quando recebi o lenço de volta, exatamente do mesmo jeito que tinha recebido e dado, entendi que ele era pra ser meu. A pessoa que me representeou com o presente que eu a representeei não era novata nessa dinâmica. Ganhei muitos presentes dela que tinham sido comprados por mim e dado para ela. Ela faz isso normalmente, o tempo todo, nenhuma surpresa ai. A grande surpresa de receber o lenço de volta é que achei que ela iria realmente gostar dele e usar. Pra minha sorte não foi o caso e agora eu mesma uso o presente que foi originalmente intencionado pra ser meu.

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o passado não condena