vários anos num mês

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A big lie is a lie which is big enough that it tears the fabric of reality–– Yale historian Timothy Snyder

O ano começou com muita expectativa e preocupação. Junto da esperança que o mês de janeiro traria mudanças extremamente positivas, tinha a angustia de não saber o que iria acontecer.  E no final tivemos uma insurreição, que na verdade foi um ataque terrorista supremacista. Foram dias muito tensos, até 20 de janeiro. Esse primeiro mês, do segundo ano da pandemia, foi bem intenso. Desejo que as coisas melhorem exponencialmente daqui pra frente.

Sei que este ano será melhor, pois já sabemos mais sobre o vírus e formas de tratamento, estamos mais instruídos sobre como se comportar, já existe vacina, e vencemos uma batalha contra a ignorância rampante que estava obstruindo e limitando qualquer tentativa de mitigar os efeitos da pandemia. Mas não me iludo que vamos voltar à normalidade em breve. Estou consciente que tudo vai mudar drasticamente, mesmo quando, lentamente, começarmos a regressar às nossas velhas rotinas. O mundo não será o mesmo, mas não acho que isso é ruim.

O que eu realmente concluí neste primeiro ano de pandemia é que a humanidade está bem perdida, precisando de gurus que a guie, para o bem ou para o mal. O que vi, muitas vezes horrorizada, foi um desmascaramento intenso, com as pessoas revelando quem elas realmente são. Não acho que vai haver um aprendizado coletivo, que vai haver uma melhora nas relações humanas. Ainda temos um caminho longo pela frente.

Mas me sinto privilegiada de poder estar numa posição de escrever isso, de estar bem e com saúde, de ter aprendido a viver um dia de cada vez e a fazer planos modestos, e por ter acesso à instrumentos de comunicação, que bem empregados trazem enormes benefícios. Em 2020 li muito, nadei sistematicamente, aprendi muitas coisas novas, abracei ideias antigas e descobri uma leveza de ser que nunca tinha experienciado antes. E quero redobrar tudo isso em 2021.

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