the bucket is half full

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Levei quase um ano para ligar pro médico pedindo um follow-up e tive que passar o dia vigiando o telefone, esperando por um retorno de alguém que iria marcar a consulta. Iria, pensei erradamente. É claro que eles sempre dizem que não é nada, o problema é normal, e que devo ver meu médico de família. Tenho que me conformar que sou a pessoa que passa por uma operação pra consertar algo e acabo com um problema extra. Such is Life.

Minha ex-chefona passou numa visita, fazia uns três anos que eu não a via. Ela perdeu peso. Gosto imensamente dela, tirando o fato de que foi ela que nos deu a miserável Ogra, a criatura desprezível que infernizou a vida de todos por mais de cinco anos.

Um cinto de mais de 20 anos do Uriel arrebentou.
eu—vamos parar no shopping e comprar um novo.
ele—levei o cinto no sapateiro pra consertar.

Meu marido, o conserta-tudo. Gostei quando ele consertou a máquina de lavar roupas, quando eu já tava com um pé na rua, indo na Sears comprar uma nova.

Troquei de roupa 3 vezes e vim trabalhar vestindo um kaftan africano. Felizmente até agora só ouvi elogios. E quem não elogiou fixou o olhar no horizonte e fingiu que não viu. Sou discretona, mas tenho coragem.

Fui colher amoras e lá no meio do campo, no silêncio,  ouvindo apenas os passarinhos, pensei que quanto mais fecha o cerco dos ignorantes, mais quero me embrenhar na roça. Não quero viver em cidade grande. Quero pelo menos ter qualidade de vida.

Quando vamos nos livrar dessa vergonha que chamamos hoje de presidente?

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s’posin

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Na semana passada vi um balão amarelo no céu de Woodland pela manhã. São as excursões vindas do Napa Valley. No dia seguinte tinha três balões e , de repente, um deles  aterrissou num campo de feno. Ops!

Também foi na semana passada que abri a porta de casa pra ir pro trabalho e tinha uma sacola cheia de laranjas esperando por mim.  Voltei do trabalho e tinha outra sacola. Presentes da minha vizinha. Estou comendo laranjas todos os dias, além das cerejas que ganhei da amiga do meu chefe e das nêsperas, que desovaram na cozinha do trabalho.

Depois de ser soterrada por duas caixas de cerejas, colhidas fresquinhas da árvore, posso dizer com convicção que gosto mais de cereja do que de morango. Fiz pickles de cereja, receita francesa. Tive que pinicar uma por uma com um alfinete. Descaroçar cereja, abrir romã, lavar folhas de espinafre, picar legumes em quadradinho, espremer limão, tudo isso é tarefa pra zen master. E limpar alcachofra também. Que eu fiz ontem.

Sair pra caminhar com duas colegas que falam alto e rápido, como metralhadoras cuspindo fogo e balas, é muita desvantagem pra mim. Eu com minha voz de instrutora de ioga e meu ESL. Tenho que gingar. Pra me manter no convercê.

O universo dos trambiqueiros é um buraco negro pra mim.

Estou confusa, não sei se ainda é primavera ou se já é verão.

hoje:
eu—olha, que delicia esse chá fermentado com frutas, estou adorando!
o outro—[cara de desinteresse]

dez anos depois:
o outro—olha, que delicia esse chá fermentado com frutas, estou adorando!
eu—REALLY??? ಠ_ಠ

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why do you suppose?

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Bette Davis Loretta Young

Porque precisava estar razoavelmente apresentável pra ir a uma festa à noite, fiz-me o favor de lavar o cabelo com condicionador. pf..

Comprei uma jaqueta linda de veludo cotelê na thrift store e pensei, só vou usar isso no ano que vem. Usei ontem.

Começou o declínio. Já estou com uma doença de gente velha––bursite trocantérica, a.k.a bursite do quadril.

O coleguinha me contou que na festa de despedida de solteiro que ele foi em Austin, TX rolou até cocaína. As if I needed to know. ¯\(°_o)/¯

Na escola primária uma menina me perseguia na saída das aulas, ficava atrás de mim, me ridicularizando, falando coisas e fazendo gestos. Num belo dia eu parei, virei e girei a maleta de couro cheia de livros direto na cara dela. Foi um alvoroço. ela chorando, chamaram os pais. Detesto confrontos, evito o quanto posso, mas tem horas que a única reação possível é uma mala na cara, bem direta. Essa história é um resumo da minha vida.

Decidi usar as camisas do Uriel que ele não usa. São todas lindas, de marca boa, estampas legais, botões giros, compradas por mim, que tenho bom gosto, algumas ainda com a etiqueta da loja pendurada. É muito desaforo!

Um diretor novo sentou na nossa mesa pra almoçar e contou que decidiu perder peso, começou, achou tão fácil, continuou e exagerou. Perdeu tanto peso que os colegas pensaram que ele tava com câncer. Todo mundo com medo de perguntar, foi um alivio quando ele revelou o motivo da magreza. Cortou carboidratos e diminuiu as porções, me disse. Adoro histórias de gente decidida! Nesse dia ele comeu uns hambúrgueres de feijão, milho refogado e duas laranjas. E comeu com a gente na cozinha e não trancado no office, na frente do computador.

alguém––adorei seu perfume, posso perguntar o nome?
eu––sim, se chama Cannabis.
alguém––Ca-na-bis?
eu––não, tem dois enês, Cannabis.

Recomendo, mas não espalhe. Também não espalhe que é perfume de homem.

Minhas fotos de flores parecem não ter fim.

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on Earth Day

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We marched for science. April 22nd, 2017.

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watch the world go by

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Ontem comemoramos o aniversário do Gabriel num parque da cidade. Foi um grupo bem pequeno. Há vinte anos comemoramos o aniversário do Gabriel e nos despedimos pela segunda vez do Brasil, daquela vez vindo pra Califórnia. Foi muita gente, mas a festa não era nossa, os convidados não eram nossos. Ontem foi quem realmente quis ir, por causa dele. Todas as festas dele são assim, mas não fui convidada para todas. Nossas comemorações família sempre foram um almoço ou jantar num restaurante. Desta vez fomos incluídos na comemoração geral. Os relacionamentos são realmente uma evolução, as coisas vão mudando, nada é estável, nem para sempre.

Ontem fez calor, hoje também e vamos numa onda que vai nos levar dos 28 aos 33ºC. Isso realmente me dá desgosto, mesmo sabendo que tivemos muita chuva, saímos da seca e neste verão todos poderão ter e manter uma horta! Eu plantei três pés de tomates, desta vez cada um num vaso, e coloquei na entrada lateral da casa, onde bate mais sol. Hoje fiz picolé. É o sinal verde pra seguirmos em frente em direção ao [cof] VERÃO!

Na sequência, gastei meu dia de folga por aqui mesmo, guardei roupas de inverno, repensei o que tenho pra a estação das camadas. Ou da esquentada ou esfriada repentina. Usei sandália. Vejam só!

Na semana passada fui arrebatada com uma onda de reminiscências, lembrei de tantas coisas da minha infância graças à uma reconexão que fiz com alguém que foi muito importante pra mim. Uma doçura e uma simplicidade de pessoa. Chorei no restaurante contando dela pra minha amiga. Sou dessas que choram em público e não peço nem desculpas. Chorei no restaurante, mais uma vez dominada pela emoção, quando fui com meu marido e meu filho vinte e cinco anos atrás me despedir da cidade da minha infância e visitei a moça querida, que hoje voltou a fazer parte da minha vida. Um ciclo que abriu e fechou.

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irises

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i’m not invisible

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Quando ela me conta coisas, minha resposta é sempre efusiva—que ótimo, que bom, que delícia, adorei saber, que coisa boa, gostei, isso mesmo, eteceterá, eteceterá.

Quando eu conto coisas pra ela, a resposta dela é sempre a mesma—ah, é?

Ah, é? Nem posso dizer aqui quem faz isso, porque é muita tristeza.

Eu e minha amiga entramos pra encaroçar numa loja de roupa em downtown Davis, onde tudo custa caro e só tem tamanhos XS, S & M. Fui por insistência dela. Daí a gente olhava as roupetas empurrando ou tirando os cabides das araras e colocando de volta, e a funcionária da loja vinha atrás e arrumava. Foi me dando uma irritação mortal ver a moça atrás da gente arrumando neuróticamente a imperfeição das araras, que pelo jeito só ela via. Fui parando de olhar [não tinha nada pra mim mesmo, sou uma XL] e fui ficando enervada até que falei VAMÔ EMBORA! Lojinha pra rich skinny bitches, com vendedora com TOC, ah, peloamordedeus, é TCHAU e BENÇÃ, né?!

Sinto amor por gente pela qual nunca tinha sentido amor antes. Sinto amor por gente que sempre esteve presente na minha vida, mesmo não realmente estando. Esvaziei pra quem nunca esteve porque não quis, mesmo sempre podendo estar. Não quero mais ser satélite de ninguém, quero viver no meu próprio planeta, onde as regras fazem sentido pois são traduzidas na minha língua.

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another milestone

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Meu filho fez 35 anos. Ele me faz sentir cada vez mais e mais jovem, por me dar o privilégio de poder ser amiga de cara tão bacana como ele.

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o passado não condena