back to earth

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Aterrisei no planeta terra às oito e meia da manhã. Mal consigo murmurar um bom dia para o urso alegre e camarada e quase chuto o gatonildinho feliz que dá um pulinho faceiro e agarra a minha perna pra dizer que está alegre de me ver. Manhãs assim são fodas. Fico amarga por horas e horas, como se estivesse puta da cara por estar de volta à este mundo injusto, cansativo e chato.
What a bore!
No sonho eu mudei de casa duas vezes. Senti tristeza porque meu endereço não era mais em Davis, mas o lugar era interessante. Na segunda casa eu descia umas escadas e saia de frente para um pequeno lago e um caminho de tijolinhos vermelhos que levava para um lindo bosque. Pensei que morar ali valia a pena, não somente pela casa, mas também pelo quintal.
Tenho muitos sonhos recorrentes, de mudanças, viagens, malas desfeitas ou refeitas, retornos para casas préviamente abandonadas com a máquina de lavar cheia de roupa suja e a geladeira cheia de comida. São sonhos que me irritam. Alguns – nem vou mencioná-los – me fazem acordar chorando. Mas há os sonhos com lugares onde nunca estive, lagos, florestas, caminhos de tijolinhos vermelhos e casas em endereços estranhos, onde invés de começar a arrumar e organizar mais uma vez todos os armários, vou sair para uma caminhada.

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o passado não condena