quanto vale?

*

Nem sei muito bem como a conversa se iniciou, mas ela me pegou pra cristo no banheiro do Faculty Club e eu sinceramente achei que nunca mais sairia de lá. Meu sorriso simpático e minhas respostas monossilábicas provocavam uma multitude de divagações e explicações que ela considerava essenciais. Me senti afundando numa areia movediça de palavras, histórias, teorias e conselhos. Num determinado ponto do quase-monólogo lembro dela sacudindo o capacete com uma das mãos, elevando-o à altura dos meus olhos e dizendo resolutamente – trinta e seis dólares? ou sua vida? trinta e seis dólares? ou sua vida? o que vale mais? Na eminência de passar o resto da minha existência presa naquele banheiro ouvindo ela falar, respondi ligeiríssimo: a minha vida!!

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o passado não condena