pitpat pitpat

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Empresa de energia solar bateu na nossa porta.

Meu marido: aqui não dá pra instalar os painéis porque temos muitas árvores grandes em volta da casa

Funcionário da empresa: ah, esse problema é simples de resolver, é só cortar aquela árvore ali do fundo [uma centenária].

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Pior é que deve ter muita gente que aceita cortar árvores centenárias pra poder gerar “energia verde” e economizar na conta de luz. Não estou criticando a energia solar, mas sugerir cortar árvore, pera-lá!

Outro dia chorei quando vi uma casa que removeu duas oliveiras maravilhosas, uma em cada canto da entrada. Árvores lindas, saudáveis, carregadas de azeitonas gorduchas. Removeram as raizes, foi uma “operação”. E pra quê? Posso imaginar que era porque sujava o chão.

O cheiro da vida que não existe mais—o sabonete liquido de erva-doce da Natura. Era o cheiro da casa dos meus pais, que agora não tem mais meu pai, nem meu irmão que também morreu, e os três irmãos restantes estão cada um numa cidade diferente, e as crianças todas cresceram e foram embora do país. Acho que esse cheiro e o sentimento que ele desperta é uma manifestação concreta da palavra saudade.

Nos anos 80, me recusei a ouvir o álbum do grupo Traveling Wilburys, porque possivelmente na minha cabeça eu não concebia a ideia de ver o Dylan num grupo. peguei rancor da balada mais famosa deles. Mas que burra, perdi de ouvir verdadeiras preciosidades. Agora, com 30 anos de atraso, corrigi esse erro.

Caí por acaso num vídeo com o Will Smith falando sobre o Bhagavad Gita e fiquei em choque. Queria até escrever o que ele falou, porque era pura sabedoria.

Saímos por aí e fomos vendo infinitos pomares de amendoeiras florindo, vaquinhas, carneirinhos e cabras nos pastos, colina salpicada com moinho de ventos, campos amarelos com flores de mostarda, vinhedos, vinhedos, vinhedos a perder de vista. 🚙

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o passado não condena