eudemonia

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how healthy can you be in a sick society?

Estou totalmente obcecada com o assunto Mindfulness e escutando sem parar o Jon Kabat-Zinn. Ele é professor emeritus de medicine e criador do Stress Reduction Clinic and the Center for Mindfulness in Medicine, Health Care, and Society University of Massachusetts Medical School. Um acadêmico, então não estamos falando dessas pataquadas new age ou de BS desses coachs da vida. Escuto palestras dele todos os dias, às vezes volto num ponto várias vezes. Ele tem setenta e poucos anos e ama o Leonard Cohen. Às vezes a cabeleira branca dele lembra a do meu pai. Tudo o que ele fala faz sentido, é bacana, estou mindfully connected com tudo o que ele fala. Talvez esse seja realmente um turning point necessário na minha vida.

Well, my friends are gone and my hair is grey
I ache in the places where I used to play
And I’m crazy for love but I’m not coming on
I’m just paying my rent every day

Leonard Cohen

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não me empoderarei nunca!

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Dia Internacional da Mulher [8 de março] —as pessoas entenderam tudo errado e transformaram um dia simbolo de luta num dia cafona.

Esse texto explicou muita coisa pra mim, que tava achando tudo muito estranho, pois não peguei essa onda de anglicismos no meu dia-a-dia em português. Vejo tanta palavra horrorosa falada por gente que nem é fluente em inglês e ficava encafifada de onde estava vindo tudo isso. Parece que é mesmo uma praga invasora. Outro dia tava pensando na importância de ler livros na língua original, porque toda tradução transforma um pouco o texto. Uma pena que não dá [pelo menos eu] pra ler em muitas línguas diferentes. Isso realmente limita.

Pra quem até chorou quando fevereiro começou com 22ºC, estou até com a cara doendo de tanto sorrir. Lindos dias frios e até chuvosos!

Tentei fazer dosas, as panquecas indianas com massa de arroz e feijão mung fermentada. Foram vários fracassos. Na última tentativa as dosas deram mais ou menos certo, mas ainda fiz um errinho. Daí que eu tava na cozinha do trabalho conversando sobre as dosas e meus erros com um colega que é casado com uma indiana e ele me disse que na lojinha internacional vende a massa pra dosa pronta, já fermentada! Foi naquele minuto que encerrei essa história de fazer a massa de dosas. Comprei pronta. E vamos em frente. Próxima obsessão, please!

Fui num encontro para meditação no campus na hora do almoço. Estava indecisa se ia ou não e então meu chefe disse—vai sim, eu te incentivo a ir, você almoça depois que voltar. Eu fui.

Moço nadando na raia do meu lado na piscina—meio gordinho, todo peludo e vestindo uma sunga azul com bolinhas brancas e um viking [Thor?] estampado de um lado da bunda. Fiquei hipnotizada. Toda vez que ele passava nadando do meu lado, eu (❂‿❂).

Assisti ao documentário da Netflix sobre a advogada feminista Gloria Allred. Nossa, que mulher! Admiro mulheres com personalidades agressivas, porque não sou assim.

Parece que a Alexa estava dando risadas maquiavélicas pras pessoas e a Amazon estava tentando consertar o glitch. Que mico! Hahaha!

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tip-tap

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Fiz pão de centeio. Sem fermentação natural, porque se eu for esperar criar o fermento com leite de pera, esperar ele fazer faculdade, casar, ter filhos, nunca vou fazer pão. Fiz do jeito antigo mesmo, com fermento biológico seco e ficou delicia! Acho que vou começar a fazer esses pães regularmente, fiquei muito inspirada pelo livro que estou lendo, Hippie Food: How Back-to-the-Landers, Longhairs and Revolutionaries Have Changed the Way We Eat.

Trouxe a cesta orgânica na caverna pras verduras não ficarem murchando dentro do carro. Uma hora depois comecei a sentir um cheiro fortíssimo de sovaco e já tava procurando o culpado [e revirando olhos em disapproval], quando percebi que o cheiro de sovaco era das cebolinhas!

As pessoas jogam as abóboras do halloween no lixo [maioria] ou reciclam [minoria]. Eu cozinho todas e transformo em comida. Assei 5 quilos de polpa e fiz doce de abóbora. Trouxe os vidros de doce no trabalho e distribuí pros meus colegas. Não sou prática, mas sou sensata.

Na fila pra entrar no teatro pra ver o Alan Alda, uma mulher atras de mim conversava com dois hippies, fazendo movimentos exagerados de corpo e me dava porradas com a bolsa. Tive que ir me afastando e perdi até o foco. Fiquei desconcertada com a falta de noção da figura. Daí entramos no teatro e quem é que senta bem atrás de mim? Sim, a bolsuda! GrrrrrrrrGrrr

Nossa chief of staff falando sem parar ontem na mesa do almoço sobre os comitês que já se formaram e dos quais ela faz parte, pra discutir soluções para se fazer pesquisa com cannabis na Califórnia. Fiquei fascinada!

Trabalho com muitos entomologistas e escuto cada história de arrepiar os cabelos [quando não aparecem com bichos dentro de vidros]. Um deles me disse que as baratas são insetos “limpinhos”, mesmo vivendo em esgotos, elas tem um sistema interno de auto-limpeza. Fiquei muito (⊙.☉).

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mês número dois

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No final de janeiro abri o weather app e comecei a chorar. Iniciamos fevereiro com a primavera. Temperaturas de 20 a 23C. Levei uns dias pra aceitar que tivemos o inverno mais curto de todos os anos em que já vivi aqui na Califórnia. Fez frio em janeiro. Ponto final. Almoçamos e jantamos no quintal em novembro e dezembro e já voltamos a almoçar a jantar no quintal em fevereiro. Estamos bem ferrados, nem posso imaginar o que vai ser o verão.

Mas como ando olhando o lado bom da vida, o resultado dessa mudança drástica no clima é que voltei a nadar no dia 1 de fevereiro. Comprei um iWatch, depois que meu FitBit morreu e estou novamente animada. Yoga, meditação, caminhadas, natação, organizando meus horários de comer, chá verde, trabalhando em pé, acordo às 5:30am, tomo o café da manhã às 8am, mindfulness training, nem acredito na pessoa que me tornei. E digo isso de uma maneira positiva.

Tenho lido muito. Tenho visto filmes e séries moderadamente. Meu tempo está absolutamente todo tomado com minhas aventuras culinárias, tentando usar a tonelada de cítricos que se acumularam [de repente] na minha cozinha. Limões meyer, siciliano, rosa, grapefruits, kumquats.

Os gatos vivem num eterno duelo. Estou muito ocupada no trabalho. Tomei decisões sem culpa. Pra mim deu, pelo menos por enquanto, estou fora.

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Martin Luther King Jr.

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“Darkness cannot drive out darkness;
only light can do that.
Hate cannot drive out hate;
only love can do that.”

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mais um ano novinho

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Hoje são 36 anos juntos. Na passagem do ano falei pra ele—já passamos 36 anos novos juntos! Não lembro do primeiro, só lembro da casa cheia de gente que veio pro reveillon e ficou pro casamento. Lembro da minha prima fazendo ioga no chão do quarto. Ela não ficou pro casamento, se desentendeu com a mãe e nunca mais eu a vi [viva] porque ela morreu um ano depois. Lembro de alguns anos novos, não lembro da maioria. Afinal são 36! Mas lembro do primeiro fora do Brasil, passando de blusa de lã e meia calça preta e saia xadrez vermelho e amarelo. Foi um choque pra mim não ter roupa branca. Passamos num salão de festa de um restaurante com pessoas que não lembro quem eram [brasileiros, eu acho]. Mas lembro que à meia noite nos abraçamos, eu, o Uriel e o Gabriel e ficamos assim abraçados, os três, por um tempo enorme. Nosso primeiro reveillon sozinhos. Nunca mais passamos com família. A partir daquele momento, nos primeiros minutos do 1º de janeiro de 1983, ficou absolutamente claro que a família dali em diante era apenas nós. Agora passamos eu e o Uriel, sempre nós dois, e eu gosto muito disso. A melhor hora da virada do ano novo pra mim é a hora dos abraços e beijos. Quero ficar assim pra sempre, mas temos que parar. E dançar. E beber champagne. Que 2018 seja maravilhoso para nós. Que o passar dos anos faça com que tudo fique melhor, como a gente diz dos bons vinhos.

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on the right side of my pillow

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No inverno se a gente acorda tarde, o dia parece que não rende. Pisca-se e já é noite. Quero fazer tanta coisa nessa minha semana de férias, que acabo até desanimando. Mas até quer fiz bastante coisas, limpezas gerais, organizações, tenho feito ioga toda manhã e caminhado quando dá. Fomos à San Francisco, fizemos uma trilha linda mas bem difícil no Capay, acho que amanhã vamos tentar ver neve. Se neve houver, já que não chove e estamos tendo o dezembro mais seco desde 1989. A palavra “seca” está em todos os corações e mentes por aqui e deixa a gente meio deprê. Sabemos que tudo é cíclico, mas neste momento parece que estamos apenas despencando, morro abaixo. Mas é tão bom poder passar uns dias com o Uriel que vou ficar realmente triste quando essa semana acabar. E vamos voltar à rotina exatamente no dia 2 de janeiro, quando vamos comemorar 36 anos de casados. E cada um numa cidade. Blé. Mas enquanto durar vou aproveitando—férias de trabalho, férias de noticias políticas, férias de acordar com horário, férias de jantar e dormir sozinha. Aproveitar porque esse bom vai durar pouco.

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o passado não condena