nem tudo que reluz é ouro
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Parei meu carro no estacionamento da piscina ao lado de um Jaguar. Notei que era um Jaguar porque olhei o carro. Olhei o carro e notei a marca, porque ele era tão bonito que me chamou a atenção. Normalmente eu não distinguo marcas, modelos, nada. Quanto muito noto que o carro é branco ou azul… Mas esse Jaguar era realmente bonito! Modelo esportivo, cor de areia metálico, estofamento de couro beige. Fiquei matutando se ele pertenceria a algum nadador ou seria de um visitante do City Hall, que fica na frente da piscina. Quando vemos um carro ou qualquer outra coisa assim que chame a atenção, é normal tentar imaginar como seria o dono da tal coisa bonita, né?
Fui nadar e na saída o belo Jaguar ainda estava estacionado lá. Manobrando pra sair da vaga, vi um adesivo colado no pára-choque do carrinho. Quando lí o que o adesivo dizia, fiquei lívida – Bush/ Cheney 2004 .
O lindo Jaguar transformou-se num fusqueta velho. A carruagem virou abóbora!







Agora estou fazendo um outro, de linha decorada [o azul acinzentado, na agulha circular na foto]. Tricotar na agulha circular é fácil. O chato é diminuir os pontos nas últimas carreiras e passar da circular pras três agulhas de ponta dupla. Fiquei tensa, mas consegui terminar o trabalho sem fazer muita burrice. Nunca, nem em mil anos, pensei que um dia pudesse estar trocotando por gosto, para relaxar. Trabalhos manuais sempre foram uma tortura pra mim, especialmente tricô e crochê, para os quais eu nunca tive a menor paciência. Estou chegando à conclusão que nenhuma caracteristica de uma pessoa é totalmente imutável e definitiva. Felizmente, as pessoas mudam!
