The Chatterbox
September 02, 2010
Elisabeth Scissorhands

frank-dear.jpg

Minha busca pelo profissional perfeito, que corte o meu cabelo do jeito que eu gosto e não me deixe com cara de mulher da cabeça de piaçava é o meu Santo Graal particular. Já investi muito dinheiro, médio dinheiro, pouco dinheiro e NUNCA consegui me satisfazer totalmente. Ao contrário—na imensa maioria das vezes meu corte de cabelo foi causa de grandes tristezas e frustrações, até cenas de tragédia daquelas de ir chorar dentro do chuveiro que é lugar quente.

É tanto que nem me esforço mais em encontrar aquele estilista de cabelo especial. Faz um tempo que decidi escolher um salão, chego lá de sopetão e no dia que me dá na telha, sem hora marcada e pergunto se rolaria um corte. Sempre rola. Nesse salão eu gasto uma grana média e toda vez que vou lá é uma pomba diferente que me atende. Como sempre eu oriento—olha, só quero aparar, tirar pontas e fazer umas camadas leves só pra dar uma moldura pro rosto. Geralmente saio de lá conformada.

Desta última vez, segui os mesmos procedimentos: cheguei sem hora marcada, uma moça me redirecionou pra cadeira dela, expliquei o que queria. Elisabeth, se apresentou. Quando soltei o cabelo ela já soltou um imenso OH, porque minha cabeleira é densa, é volumosa, e é o sonho de qualquer profissional da tesoura.

E de tesoura em mão, começou ela—ah, seu cabelo é muito lindo! plickplickplick—nossa, seu cabelo é muito saudável! saudável mesmo! plickplickplick—e você tem umas ondas naturais lindas! plickplickplick—tem muita gente que quer ter cabelo como o seu, mas nem pagando mil dinheiros. tem que nascer assim!

plickplickplickplickplickplickplick! plickplickplickplickplickplickplick!

Você já tremeu de pavor enquanto alguém picotava enlouquecidamente o seu cabelo—lindo e saudável, com uma tesoura? Temi muito pelo resultado, fiquei muito assustada com a possibilidade de ter que passar semanas com a cabeça enrolada num lenço ou turbante, ou vestindo chapéu pra trabalhar. Não deu outra, quando cheguei em casa e me olhei no espelho que vi o estrago que o entusiasmo da moça pelo meu maravilhoso cabelo fez.

Desde então tenho tido duas opções de penteado—peruca kanekalon do tutankamon ou topete da cacatua do Baretta. Quanto tempo um cabelo saudável demora pra crescer?

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August 30, 2010
sobre a vida dos outros

tracy-hepburn.jpgNunca tinha reparado, nem nele, nem nela, até o dia em que vi os dois conversando na entrada da piscina, ela enrolada na toalha, segurando um saco com acessórios de natação. Nunca teria reparado nos dois ali conversando, se ela não estivesse chorando. Nadei de costas com o olhar fixo na cena do moço e da moça conversando e ela chorando. Muitas histórias passaram pela minha cabeça enquanto eu nadava e olhava, ele ouvia e ela falava e chorava. Pensei primeiro que talvez alguém estivesse doente na família dela. Depois pensei que eles poderiam ser um casal se separando. Fiquei com muita pena dela—chorando em público, e me identifiquei, pois faço a mesma coisa. E achei simpático a maneira como ele escutava, meio que dando apoio.

A partir desse dia comecei a reparar nesse casal, que não sei quem são, nem se são mesmo um casal, nem o que fazem, ou que apito tocam. Eles chegam juntos pra nadar, ela enrolada na toalha. Às vezes ele vem sozinho. Outras vezes ela vem sozinha. E agora eu olho, sempre de rabo de olho. Ela é petit, magrinha, cabelo comprido, bem bonitinha, com uma vozinha. Ele é altão, bem aprumado, simpático, sorriso bonito, cabelo grisalho apesar de aparentar ser bem jovem. Eles chegam juntos, nadam juntos, saem juntos e apesar de eu ficar sempre de olho, nunca mais vi ela chorando.

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August 27, 2010
overwhelmed

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Idéias não me faltam. Leio zilhões de revistas, livros e websites, marco um zilhão e trezentas receitas que quero preparar, mas não consigo colocar nada em prática. Meu cotidiano é uma sequência de atividades básicas, recheado de comida simples, repetecos de coisas que sempre dão certo, usando os ingredientes protagonistas do verão. Me sinto presa dentro de um eterno deja vú.

Começo o dia com o tanque cheio de energia, não sinto desânimo algum, tenho estado ocupada com alguns projetos no trabalho, tenho gás suficiente pra pedalar minha bicicleta pra lá e pra cá e fazer mil coisas durante a minha horazinha de almoço, tentando surfar com elegância as [poucas] ondas de calor que tivemos este ano. Mas vou dizer que depois que faço o jantarzinho, no soar das sete badaladas, já vou sendo abraçada por uma exaustão que me tira não só a energia, mas também o bom humor. Deito cedo, durmo cedo, o máximo que tenho conseguido fazer no final do dia é passar os olhos pelas revistas e assistir um pouco de algum filme na tevê.

Ando me sentindo overwhelmed pela quantidade de coisas que quero fazer e não consigo. A falta de tempo me causa uma grande frustração.

Alguém me disse—é apenas o calor! Também já me falaram—ah, mas você faz coisas demais! Ou—deve ser os hormônios. Será que ando sentindo esse imenso cansaço porque desgosto imensamente das mesmices e muitas vezes me percebo ficando óbvia, fazendo sempre as mesmas coisas, batendo na mesma tecla? Por que não consigo otimizar o tempo que tenho disponível e fazer mais coisas legais, isso eu já não sei responder.

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August 25, 2010
[quase famosos]

150950557.jpg

—como é trabalhar com o Sr. José Firelli?
—desculpa, mas é Zefirelli.
—ah, para a senhora, que é íntima!
[narrado nas crônicas de Paulo Francis] hahaha!

A vida é realmente um sitcom. Meu chefe me contou uma história surreal que aconteceu com ele e que ele chamou de The Water Nazi—relativo ao The Soup Nazi do Seinfeld. O cara chegou na máquina de refil de água do supermercado com 17 galões vazios e ocupou as 4 torneiras. Meu chefe pediu pra usar apenas uma, pra encher apenas um galão e o cara respondeu mal humorado que NÃO. E acabou com a água da máquina.

Também tenho uma história similar—The Salad Bowl Nazi. Estava na thrift store num sábado, como é muito meu costume, garimpando coisinhas de cozinha. Achei uns potinhos, uma bandeja e numa pilha de coisas em cima do balcão, descobri uma saladeira bem bonita por $3. Peguei e segui em frente. Regra de thrift store é achou, gostou, segurou firme! Porque tá solto é de qualquer um. Bom, estava na fila pra pagar quando uma mulher se aproximou e arrancou a saladeira da minha mão com a maior violência. Fiquei atônita, como ficaram também todos os outros que estavam na fila comigo. A mulher, numa voz alterada, bradou—isso É MEU, eu já paguei! Pagou e largou em cima do balcão. Merecia perder os três mangos, pra aprender uma lição. Mulher grossa e ralé. Nem todo mundo que frequenta lojas de segunda mão é assim, pelo menos não na que eu frequento.

Uriel comentando a última edição da revista Martha Stewart Living, com ela na capa disse—usaram uma foto dela de 30 anos atrás, né? Incrível, mas a mulher, além de rica, linda e poderosa, ainda parece imortal. Preservada no formol. Muito ódio dessa edição de setembro da revista—com ela super xóvem na capa, mostrando a organização da cozinha dela. Isso não se faz! Mostrar aquilo pra nós, pobres e mortais, gente que envelhece e que não tem uma super cozinha organizada por uma equipe. Sem falar que a malandra se apossa de todo e qualquer objeto antigo e vintage disponível. Não sobra talheres de baquelite nem vasilhas de argila vitrificada pra mais ninguém.

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August 12, 2010
a casa mudou-se

thehousemoved.jpg

E saiu no jornal que quando levaram ela embora um casal de hippies foi atrás dançando e cantando—our house is a very, very fine house with two cats in the yard, life used to be so hard, now everything is easy 'cause of you and our la,la,la, la,la, la, la, la, la, la, la la,la,la, la,la, la, la, la, la, la, la.....

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July 28, 2010
diário de um ócio viral

Sábado: gripe chinesa que não sai de mim. Coisa! Na próxima viagem do meu marido por terras longínguas vou fazer quarentena nele, e só me aproximar quando tiver certeza que ele nao trouxe nenhum vírus na bagagem. Ele já esta bem e eu tô piorando. Deitada vendo tv. o que mais me resta? Key Largo—Lauren Bacall linda linda linda, de saia e espadrilhas.

Domingo: gripe miseraver. Café com leite, brioche com mel, pílula vermelha. Dia incomum—não vou nadar nem cozinhar e vou ver TCM o dia todo. Chá de gengibre. Paladar e olfato: ausentes. Cara de travesseiro. Em outubro o Steve Martin vem tocar banjo aqui em Davis. Ele tem uma banda. Abbott & Costello. nunca vi dupla mais chata.

Segunda-feira: queria entender por que eu recebo tanto catálogo de equipamento de camping e de esportes. Bengala de escalar montanha, eu?? Seria pelo fato de eu ser membro do Pacific Masters? Eu sou porque fui obrigada, não porque quis ou sou atleta. O Pacific Masters me envia todo mês uma revista de nadadores que eu nem abro, reciclo sem ler, pra não ficar me sentindo uma bag of potatoes.

Terça-feira: finalmente vou ver The Private Lives of Elizabeth and Essex, com a Bette Davis e o Errol Flynn. Tava mais do que na hora, né Moa? Bette Davis tinha um cacoete de mexer o corpo enquando declamava suas frases dramáticas que transparece em todos os seus filmes e personagens. Sem falar nas brecadinhas repentinas e viradas de corpo bruscas que ela fazia enquanto falava. Está em todos os filmes que ela fez. Todos! Pronto, Flynn já levou a bofetada histórica. Davis está insuportável nesse filme. contrastando com a lindeza e o charme irresistível do Errol Flynn. Perdeu, Bette, perdeu!

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