muitos pingos de mel

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we can not lower the mountain, so we have to elevate ourselves.

Estava olhando as revistas enquanto meu marido pagava as compras no supermercado quando um homem chegou perto de mim e disse—you’re a beautiful woman and should be happy everyday! Minha surpresa só me permitiu um agradecimento meio sem graça. O homem falou isso e foi embora, acho que fui o recipiente de um random act of kindness.

Fizemos uma tertúlia. 8 pessoas, comendo, bebendo e conversando por mais de 5 horas sem pegar num smartphone [exceção pras fotos da mesa e comida antes de sentarmos]. Me senti civilizada.

De um dia para o outro—pop pop pop! 🌻 🌻🌻🌻🌻🌻🌻 Vou sorrindo todo o percurso pro trabalho com a visão maravilhosa dos campos imensos de girassóis. Que coisa mais linda, quero imprimir essas imagens na minha memória.

girassois
girassóis com céu esfumaçado pelo incêndio em Capay

Sou a Anne Shirley [versão moderna da Netflix] abraçando e falando com a árvore como se ela fosse uma amiga. 💚

Chorei porque minha amiga, que é diretora de uma das unidades aqui na minha divisão, vai embora. um emprego melhor, como faculty na UC Davis. Uma das pessoas mais legais que conheço, queria que ela ficasse por aqui, mas o mundão é dela!

Meu chefe, um budista que não entende por que eu me incomodo tanto com pessoas negativas poluindo o ambiente de trabalho com reclamações e bufadas, chegou hoje todo estressadinho porque alguém foi extremamente agressivo com ele no trânsito. Pois é…. pimenta no ce-uh dos outros é refresco.

A coleguinha voltou de Chicago com latas de pipoca na mala. Uma ela trouxe pra nós. Sabores caramelo e queijo. A de caramelo, todos sabem como é boa. E a de queijo é uma versão pipoca do cheesitos. Peguei uma xicrinha de café, comi devagarzinho e BASTA! É uma delicia, mas não! Ela também trouxe temperinhos e chá. Tudo uma delicia. mMs esse negócio de trazer coisas pros colegas abre um precedente complicado, porque meio que obriga todo mundo a trazer também.

Toda vez que vou numa ponta de estoque aqui em Woodland e falo que não quero sacola plástica, que tenho a minha própria reusável, escuto que eles não cobram pelas sacolinhas e respondo IT’S NOT ABOUT THE MONEY. Me sinto em outro século, que coisa deplorável.

A mulher que tira as fotos mais lindas nunca aparece nelas. Já a que tira fotos feias está em todas. Nada contra os selfies, até eu faço uns. Mas só selfies cansa….. zzzzz #ronc Sem falar que hoje não precisa nem saber e nem tirar fotos para participar do instagram. aquilo lá já virou um tumblr. Fotos com crédito pra internet!

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a uva, passa

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Nas ultimas semanas comi os melhores damascos [da fazendinha], cerejas [da árvore da minha vizinha] e ameixas [do quintal do meu chefe]. Comer essa qualidade de fruta faz você ficar totalmente esnobe com relação às frutas refrigeradas de supermercado. É verdade, desculpe.

Já estou mapeando os campos de girassóis durante meu commuting diário. Estou vendo muitos e em lugares bem convenientes. Em um mês esses campos de girassóis vão estar floridos e tenho que planejar onde e como vou parar o carro, para tirar fotos. 🌻

Naquele app do Google & Arts onde você pareia sua cara com uma pintura, todas as pinturas que parearam comigo eram retratos de homens. Concluí que tenho um rosto masculino. Nem sei realmente o que dizer com relação à isso.

cabelo preso e óculos —homens

cabelo preso sem óculos —homens

cabelo solto de frente —homens

cabelo solto de lado —uma mulher velha, homens, um palhaço

cabelo solto sorrindo —duas mulheres, homens

Nem publiquei nada né? auto-humilhação pra quê?

Vira e mexe vivencio situações bizarras, como agora. Fui reclamar do barulho absurdo que a fulaninha fazia, bem atrás de mim, todos os dias, batendo com força as gavetas de metal. E a coisinha virou um MONSTRO e se virou contra mim, porque segundo ela eu também faço barulhos. E eu, mas que barulhos tão absurdos são esses que eu faço? Tive que pedir a intervenção do chefe, porque não sei lidar com agressividade e confrontos desse tipo. Pois o barulho que eu faço, que irrita a criatura ao ponto de fazê-la explodir é o meu cata milho no tecladinho minúsculo. Poucas coisas que escrevo, pois meu trabalho é mais clicar que teclar. Estou tão chocada. Pior, estou chocada e tendo que trabalhar com a fulana birrenta bem atrás de mim. Como não sei muito bem o que dizer, resolvi deixar isso registrado aqui. Que desafio.

Pra inaugurar o verão, 41C. Estou sorrindo [Zeeeennnnnn]

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gentilezas

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Eu tava me sentindo linda, moderna e diferente, com meu vestidinho de flores com renda comprado na boutique bohemian da moça incrível, e por cima coloquei um blaser masculino cinza. Eu tinha 21 anos, eu tinha um bebê de um ano, e estava na casa dos meus sogros quando um membro da família que não é minha olhou pra mim e disse rindo—acho que o defunto era maior, hein? Demorei um tempo pra entender, mas ele estava se referindo ao blaser grandão. Eu quis me enfiar num buraco, ir embora, aquilo caiu como um balde de água gelada na minha cabeça. E pra quê? Pra ser engraçado? Ou porque não tinha o que dizer? Com certeza nunca tinha visto alguém vestido de maneira diferente e falou essa besteira. Ouvi muita coisa desse tipo durante toda a minha vida no meu país de origem, trinta anos. Até eu me mudar pra Califórnia.

É até um pouco desconcertante o tanto que as pessoas aqui são generosas com as palavras. Não consigo nem contar quantas vezes nesses últimos vinte e um anos fui parada na rua para ouvir que minha roupa, sapato, colar, visual era legal. Gostei da sua blusa, que bolsa legal, seu visual é demais, você tem muito estilo! No meu trabalho é raro não ouvir alguma coisa, se não é uma coisa é outra, ou o conjunto completo—you’re gorgeous! Quanta diferença das frases grosseiras que ouvi quando era adolescente e nos meus vinte anos. Não mudou nada em mim, apenas fiquei mais velha, continuo usando o vestido de renda vintage com o blaser masculino, os casacos de fake fur, a gravata, as echarpes amarradas no pescoço, as bolinhas com listrinhas, as lantejoulas brilhantes, a tunica africana, as flores na lapela, as bijous vintages gigantes, só que agora não escuto mais piadas, escuto elogios.

Essa dinâmica é muito boa e além de sair da minha postura defensiva [ah, isso é velho, olha, tá furado, nem gosto muito] agradeço sorrindo e estou me treinando intensivamente para ser igual, retribuir, pay it forward e distribuir elogios. Hoje elogiei o turbante da menina que estava no front desk e o brinco de borboleta da minha amiga. Dar e receber positividade, acreditem, mes amis, é muito bom e faz muito bem.

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we ain’t seen nothing yet

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na piscina:

sujeita—tem umas barata no chuveiro, vou avisar os salva-vidas, a não ser que você queira matá-la com uma das suas nadadeiras.

eu—não, eu não mato nada, pode avisar o salva-vidas.

sujeita—okay, como queira, aproveite o seu banho com a barata.

eu— ⊙.☉

28 de maio — ligamos o ar condicionado.

terça — max 36C
quarta — max 26C com ventania
quinta — max 22C
sexta — max 31C
sábado — max 37C
domingo — max 38C

#VivaAPrimavera

Que bom que tá calor, porque nosso boiler pifou, trocar foi complicado porque a casa é antiga e o boiler era super velho, então tomei chuveiradas FRIAS no lombo por uma semana! Tomar banho frio nem foi o maior problema, o que foi difícil foi desengordurar tupperware sem água quente.

Votei nas eleições primárias neste final de semana. Agora sou votante eterna pelo correio. Finalmente! Fui a última na família a se inscrever. Nas urnas era eu votando e tumbleweeds rolando. Aqui na Califórnia a porcentagem de vote-by-mail é altíssima. Pode conta com mais um!

Tenho hot flashes e meus óculos embaçam. #OldLadyProblems

Darth Vader — The Empire has updated our Privacy Policy

Só vivo em outro país, mas às vezes tenho a impressão de que estou em outro planeta.

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nem fui, mas voltei

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Fiquei doente e tive um texto pronto pra escrever aqui, de como resistimos à parar, desativar, descansar. Sarei, voltei às rotina e não escrevi nada. O Uriel me disse que o Stephen Hawking acreditava em deus. Discuti com ele, porque não sei o que significa isso. Falo coisas que nem sei o que significam como jesuiscristo e peloamordedeus pela minha criação católica, só isso. Hábito que a gente tem e fala sem nem perceber.

Tava toda pimpona e animada treinando mindfulness e daí faço a maior pataquada mindless, porque estava multitasking, fazendo mil e uma outras coisas. Coloquei a frigideira com azeite e cebola no fogo e voltei [desembestada] três horas depois. Fiquei inconformada, não posso mais fazer isso. Não é seguro.

É realidade que o email está morrendo. Mesmo no trabalho acabamos usando outros tools mais instantâneos e eficientes como Slack. Email só mesmo pra coisas mais oficiais, que precisa ter record. Mas mesmo com a redução das mensagens de email tenho duas versões de assinatura, uma dizendo somente Thanks, Fernanda que uso o tempo todo e outra com meu título e endereço, telefone, etc, que uso ocasionalmente. Porque pra mim não tem coisa mais irritante que um thread de email com todo mundo usando aquelas assinaturas gigantes, listando titulo de PhD, websites, facebook, twitter, logo do departamento. gente, pelamordedeus já estamos no século XXI faz tempo!

Tento fazer a minha hora do almoço a hora de me alimentar, dividir a mesa com outros, conversar. Levo prato, talheres, guardanapo, forro a mesa. Sou geralmente a primeira a sentar e todo dia muitos se juntam a mim. É normalmente gostoso, o papo flui. Tas tem aqueles que se juntam à você mas não conseguem largar do smartphone e ficam conversando e checando coisas. Ou te mostrando coisas. Tipo, eu já te sigo no Instagram minha filha, não vamos passar a nossa hora de almoço você me mostrando suas fotos, né? ou as fotos dos seus amigos que eu nem conheço. Chato demais isso!

Minha vontade é perguntar—where do you get all this crap? mas fico quieta, porque não quero entrar em treta.

A farmacêutica iluminou meu dia quando disse—essa vitamina não é pra você não, é só pra mulheres acima dos 50. Não sou dessas que esconde a idade, mas foi um elogio bem-vindo.

Os balões do Napa Valley estão de volta no meu céu matinal!

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as far as I’m concerned, it was a lovely day

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Choveu muito durante a noite e o dia seguinte amanheceu absolutamente glorioso. Fui caminhando para o café, onde às vezes trabalho nas quintas-feiras, e a luz estava encantadora. Um frio quase inacreditável para esta época, as mãos ficaram muito geladas, estava de cachecol de lã, mas nunca reclamo de frio. A tranquilidade de um dia tão lindo só ficou abalada quando vi uma passarinha e seu filhotinho mortos na caçada. Estávamos falando dos beija-flores e seus ninhos sedosos feitos de teia de aranha, fiquei pensando nos bichinhos mortos por um tempão. Trabalhei, caminhei de volta, fui nadar preparei kitchari e aspargos, trabalhei mais, fiz ioga [um set de relaxamento], trabalhei, olhei o céu encher de nuvem, coloquei meias, jantei, subi pra tomar banho ainda era dia. Não desci mais e esqueci as persianas das salas abertas. No dia seguinte que percebi. A casa fica muito devassada à noite com as persianas abertas. Mas pode ser que ninguém viu. Gosto imensamente desses dias quando trabalho em casa. Especialmente porque dá pra fazer essas coisas de caminhar, ver e aproveitar a luz. Esta história nem faz sentido, mas queria colocar isso aqui.

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o passado não condena