tip-tap

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Fiz pão de centeio. Sem fermentação natural, porque se eu for esperar criar o fermento com leite de pera, esperar ele fazer faculdade, casar, ter filhos, nunca vou fazer pão. Fiz do jeito antigo mesmo, com fermento biológico seco e ficou delicia! Acho que vou começar a fazer esses pães regularmente, fiquei muito inspirada pelo livro que estou lendo, Hippie Food: How Back-to-the-Landers, Longhairs and Revolutionaries Have Changed the Way We Eat.

Trouxe a cesta orgânica na caverna pras verduras não ficarem murchando dentro do carro. Uma hora depois comecei a sentir um cheiro fortíssimo de sovaco e já tava procurando o culpado [e revirando olhos em disapproval], quando percebi que o cheiro de sovaco era das cebolinhas!

As pessoas jogam as abóboras do halloween no lixo [maioria] ou reciclam [minoria]. Eu cozinho todas e transformo em comida. Assei 5 quilos de polpa e fiz doce de abóbora. Trouxe os vidros de doce no trabalho e distribuí pros meus colegas. Não sou prática, mas sou sensata.

Na fila pra entrar no teatro pra ver o Alan Alda, uma mulher atras de mim conversava com dois hippies, fazendo movimentos exagerados de corpo e me dava porradas com a bolsa. Tive que ir me afastando e perdi até o foco. Fiquei desconcertada com a falta de noção da figura. Daí entramos no teatro e quem é que senta bem atrás de mim? Sim, a bolsuda! GrrrrrrrrGrrr

Nossa chief of staff falando sem parar ontem na mesa do almoço sobre os comitês que já se formaram e dos quais ela faz parte, pra discutir soluções para se fazer pesquisa com cannabis na Califórnia. Fiquei fascinada!

Trabalho com muitos entomologistas e escuto cada história de arrepiar os cabelos [quando não aparecem com bichos dentro de vidros]. Um deles me disse que as baratas são insetos “limpinhos”, mesmo vivendo em esgotos, elas tem um sistema interno de auto-limpeza. Fiquei muito (⊙.☉).

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mês número dois

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No final de janeiro abri o weather app e comecei a chorar. Iniciamos fevereiro com a primavera. Temperaturas de 20 a 23C. Levei uns dias pra aceitar que tivemos o inverno mais curto de todos os anos em que já vivi aqui na Califórnia. Fez frio em janeiro. Ponto final. Almoçamos e jantamos no quintal em novembro e dezembro e já voltamos a almoçar a jantar no quintal em fevereiro. Estamos bem ferrados, nem posso imaginar o que vai ser o verão.

Mas como ando olhando o lado bom da vida, o resultado dessa mudança drástica no clima é que voltei a nadar no dia 1 de fevereiro. Comprei um iWatch, depois que meu FitBit morreu e estou novamente animada. Yoga, meditação, caminhadas, natação, organizando meus horários de comer, chá verde, trabalhando em pé, acordo às 5:30am, tomo o café da manhã às 8am, mindfulness training, nem acredito na pessoa que me tornei. E digo isso de uma maneira positiva.

Tenho lido muito. Tenho visto filmes e séries moderadamente. Meu tempo está absolutamente todo tomado com minhas aventuras culinárias, tentando usar a tonelada de cítricos que se acumularam [de repente] na minha cozinha. Limões meyer, siciliano, rosa, grapefruits, kumquats.

Os gatos vivem num eterno duelo. Estou muito ocupada no trabalho. Tomei decisões sem culpa. Pra mim deu, pelo menos por enquanto, estou fora.

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Martin Luther King Jr.

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“Darkness cannot drive out darkness;
only light can do that.
Hate cannot drive out hate;
only love can do that.”

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mais um ano novinho

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Hoje são 36 anos juntos. Na passagem do ano falei pra ele—já passamos 36 anos novos juntos! Não lembro do primeiro, só lembro da casa cheia de gente que veio pro reveillon e ficou pro casamento. Lembro da minha prima fazendo ioga no chão do quarto. Ela não ficou pro casamento, se desentendeu com a mãe e nunca mais eu a vi [viva] porque ela morreu um ano depois. Lembro de alguns anos novos, não lembro da maioria. Afinal são 36! Mas lembro do primeiro fora do Brasil, passando de blusa de lã e meia calça preta e saia xadrez vermelho e amarelo. Foi um choque pra mim não ter roupa branca. Passamos num salão de festa de um restaurante com pessoas que não lembro quem eram [brasileiros, eu acho]. Mas lembro que à meia noite nos abraçamos, eu, o Uriel e o Gabriel e ficamos assim abraçados, os três, por um tempo enorme. Nosso primeiro reveillon sozinhos. Nunca mais passamos com família. A partir daquele momento, nos primeiros minutos do 1º de janeiro de 1983, ficou absolutamente claro que a família dali em diante era apenas nós. Agora passamos eu e o Uriel, sempre nós dois, e eu gosto muito disso. A melhor hora da virada do ano novo pra mim é a hora dos abraços e beijos. Quero ficar assim pra sempre, mas temos que parar. E dançar. E beber champagne. Que 2018 seja maravilhoso para nós. Que o passar dos anos faça com que tudo fique melhor, como a gente diz dos bons vinhos.

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on the right side of my pillow

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No inverno se a gente acorda tarde, o dia parece que não rende. Pisca-se e já é noite. Quero fazer tanta coisa nessa minha semana de férias, que acabo até desanimando. Mas até quer fiz bastante coisas, limpezas gerais, organizações, tenho feito ioga toda manhã e caminhado quando dá. Fomos à San Francisco, fizemos uma trilha linda mas bem difícil no Capay, acho que amanhã vamos tentar ver neve. Se neve houver, já que não chove e estamos tendo o dezembro mais seco desde 1989. A palavra “seca” está em todos os corações e mentes por aqui e deixa a gente meio deprê. Sabemos que tudo é cíclico, mas neste momento parece que estamos apenas despencando, morro abaixo. Mas é tão bom poder passar uns dias com o Uriel que vou ficar realmente triste quando essa semana acabar. E vamos voltar à rotina exatamente no dia 2 de janeiro, quando vamos comemorar 36 anos de casados. E cada um numa cidade. Blé. Mas enquanto durar vou aproveitando—férias de trabalho, férias de noticias políticas, férias de acordar com horário, férias de jantar e dormir sozinha. Aproveitar porque esse bom vai durar pouco.

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mindless

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Minha vontade neste momento é de apenas ficar olhando uma paisagem com bastante neve em modo mindless.

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walk, don’t run

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Tenho muitas ganas de andar. Se pudesse andava o dia todo, mas tenho que trabalhar, fazer tarefas domésticas, dormir. Andar é muito bom, é meditativo, ajuda a colocar os pensamento no lugar, sem falar que relaxa e aqui vou vendo a paisagem, as mudanças das estações. Sempre tiro fotos. Às vezes vou andar com colegas durante o trabalho, até acho legal, mas prefiro andar sozinha. Quando ando com o Uriel é a hora de conversar bobagens ou coisas sérias, até choro andando. Andar e conversar sobre política me faz bufar e apressar o passo, fico descabelada e sem folego. Ando com som de jazz, às vezes com som de rock ‘n’ roll. Tenho essa gana de andar e ando muito, só não ando mais porque não posso.

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o passado não condena